Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Bom Jesus do Tocantins


Lista de Tabelas

  1. Tabela 1 - Nascidos vivos e indicadores materno-infantis (SINASC local, 2022-2025).
  2. Tabela 2 - Mortalidade geral por capítulo CID-10 selecionado (SIM local, 2022-2025).
  3. Tabela 3 - Principais agravos notificados (SINAN local, 2022-2025).
  4. Tabela 4 - Mortalidade geral e taxa bruta (SIM local, 2022-2025).
  5. Tabela 5 - Mortalidade por capítulo CID-10 (SIM local, 2022-2025).
  6. Tabela 6 - Mortalidade por causas externas - tipo de evento (SIM local, 2022-2025).
  7. Tabela 7 - Indicadores materno-infantis pactuados (PMS 2022-2025 e proposta 2026-2029).
  8. Tabela 8 - Pré-natal 7+ consultas, parto vaginal e gravidez na adolescência (SINASC local, 2022-2025).
  9. Tabela 9 - Município de ocorrência dos partos de mães residentes (SINASC local, 2021-2025).
  10. Tabela 10 - Estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes (SINASC/DATASUS e CNES/SCNES, 2020-2024).
  11. Tabela 11 - Síntese por tipo de gestão do estabelecimento de ocorrência (SINASC/DATASUS e CNES/SCNES, 2020-2024).
  12. Tabela 12 - Cobertura vacinal (PMS 2022-2025, meta plano).
  13. Tabela 13 - Hanseníase, tuberculose e sífilis na gestação - notificações (SINAN local, 2022-2025).
  14. Tabela 14 - Leishmaniose cutânea, malária e dengue - notificações (SINAN local, 2022-2025).
  15. Tabela 15 - Acidentes com animais peçonhentos e outros (SINAN local, 2022-2025).
  16. Tabela 16 - Síntese dos problemas epidemiológicos prioritários para o DOMI.

Lista de Gráficos

  1. Gráfico 1 - Nascidos vivos e óbitos totais (SIM/SINASC locais, 2022-2025).
  2. Gráfico 2 - Distribuição dos óbitos por capítulo CID-10 (2025).
  3. Gráfico 3 - Pré-natal com 7 ou mais consultas e proporção de cesáreas (SINASC local, 2022-2025).
  4. Gráfico 4 - Principais agravos notificados no quadriênio (SINAN local, 2022-2025).

1. Apresentação

Este caderno apresenta o perfil epidemiológico e de morbimortalidade de Bom Jesus do Tocantins, com o objetivo de subsidiar a elaboração do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029. O município integra a Região de Saúde Carajás (11ª CRS, polo regional Marabá), na Macrorregional IV de Saúde do Pará, e está situado no sudeste paraense, em área de influência direta da Província Mineral de Carajás. A análise consolida indicadores de mortalidade, nascidos vivos, agravos de notificação compulsória e morbidade hospitalar, organizados a partir das bases locais municipais carregadas no Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC e SINAN) e das metas pactuadas no PMS 2022-2025.

Bom Jesus do Tocantins é município de pequeno porte populacional (Porte I), com 19.129 habitantes em 2025 segundo a estimativa IBGE, distribuídos em uma área de 2.816,4 km². A estrutura demográfica apresenta perfil ainda jovem, mas com sinais consistentes de transição: 20,9% da população são crianças (0 a 14 anos), 7,3% adolescentes (15 a 19 anos), 59,2% adultos (20 a 59 anos) e 12,6% idosos (60 anos ou mais). A razão de sexo é de 128,8 homens para cada 100 mulheres, expressão típica de territórios sob influência da economia extrativa mineral e da pecuária do sudeste paraense, que concentram migração masculina jovem em idade produtiva. O índice de dependência total é de 50,3%.

A trajetória populacional do quadriênio 2022-2025 é de leve crescimento (de 18.658 para 19.129 habitantes, +2,5%), com expansão concentrada em adultos de 30 a 49 anos e nos idosos de 60 anos ou mais. A faixa de 0 a 4 anos reduziu-se de 1.402 para 1.280 (-8,7%) no mesmo período, sinalizando queda da fecundidade e exigindo qualificação progressiva da rede materno-infantil para sustentar coberturas vacinais e indicadores de pré-natal em denominadores menores. A faixa de 60 a 69 anos cresceu 14,5%, anunciando aumento da demanda por linha de cuidado às DCNT e por reabilitação, ainda sem contraparte instalada na rede própria do município.

Fontes de dados utilizadas: bases locais municipais SIM, SINASC e SINAN carregadas no Data Warehouse Akapu, PMS 2022-2025 de Bom Jesus do Tocantins (linhas de base e metas pactuadas), Programação Anual de Saúde 2025 (PAS 2025), Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH), Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), DATASUS/Tabnet (consulta abril/2026) e estimativas demográficas IBGE.
Nota metodológica: em municípios com menos de 50.000 habitantes, flutuações anuais de poucos eventos podem produzir variações percentuais expressivas. A leitura privilegia, sempre que possível, a série histórica de quatro anos (2022-2025) e a comparação com parâmetros regionais (Pará, Macrorregional IV) e nacionais. A janela analítica padrão de séries históricas é 2015-2025 quando a fonte oferece o intervalo completo; para SIM, SINASC e SINAN locais a janela exibida é a de quatro anos efetivamente carregados na base municipal de Bom Jesus do Tocantins, com referência ao DATASUS federal para anos anteriores.
Recorte territorial e populacional do PMS 2026-2029: a presença de comunidades rurais dispersas, da população indígena (assunto sinalizado pela gestão para tratamento próprio na ASIS) e a centralidade da pecuária e da pequena mineração no entorno da Estrada de Ferro Carajás impõem ao caderno epidemiológico atenção a doenças negligenciadas (hanseníase, leishmaniose tegumentar americana, malária), acidentes de trabalho rural, acidentes com animais peçonhentos, violência interpessoal e sífilis em gestante.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Bom Jesus do Tocantins encerra o ciclo do PMS 2022-2025 com um retrato epidemiológico misto, em que avanços importantes da rede materno-infantil convivem com agravos persistentes do território do sudeste paraense. A taxa bruta de natalidade média do quadriênio fica em torno de 12,7 nascidos vivos por mil habitantes (988 NV em quatro anos para uma população média de 18,9 mil), em linha com a desaceleração da fecundidade já apontada no Caderno 01. Nenhum óbito infantil em menor de 1 ano foi registrado nas bases locais SIM/SINASC entre 2022 e 2025, resultado que precisa ser lido com cautela: ele pode refletir tanto avanço efetivo da rede de pré-natal e parto quanto subnotificação ou registro do óbito em estabelecimento fora do município (ocorrência versus residência). O Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Infantis e Fetais deve qualificar essa leitura.

Na linha do parto e do pré-natal, há sinais positivos. A proporção de pré-natal com 7 ou mais consultas saiu de 62,2% em 2022 para 78,8% em 2025 (189 NV de 240), aproximando-se da meta nacional de 75% e superando-a no último ano. Em paralelo, contudo, a proporção de cesárea cresceu de 57,6% (137 de 238 em 2022) para 70,8% (170 de 240 em 2025), trajetória contrária à meta do PMS anterior (75% de parto normal) e que aponta para a necessidade de revisão das práticas obstétricas no Hospital e Maternidade Popular. A gravidez na adolescência permanece em patamar superior à média nacional: 21,7% dos nascidos vivos em 2025 são de mães de 10 a 19 anos (52 de 240), reforçando a centralidade do PSE, da saúde sexual e reprodutiva e da articulação intersetorial com educação e assistência social.

No perfil de mortalidade, predominam as doenças crônicas não transmissíveis (101 óbitos por aparelho circulatório no quadriênio, 55 por neoplasias) e as causas externas (63 óbitos), agravadas pela ainda elevada proporção de óbitos com causa mal definida (27 óbitos no capítulo XVIII, ~7,1% do total). O ano de 2024 marcou pico de causas externas (22 óbitos), com manutenção em patamar elevado em 2025 (20). Esses números, em município com forte presença masculina em faixa produtiva e em zona de pressão econômica do agronegócio e da mineração, exigem leitura conjunta com o monitoramento de violência (50 notificações Y09), acidentes de trabalho (40 notificações Y96) e acidentes de transporte. A vigilância de doenças do território amazônico mantém Bom Jesus do Tocantins na agenda da hanseníase (45 notificações no quadriênio, A30.9) e da leishmaniose tegumentar americana (23 notificações, B55.1), com tuberculose presente (17 notificações A16.9) e sífilis em gestante em 20 casos (O98.1), este último indicador a reforçar a urgência de captação precoce no pré-natal.

Indicadores-chave (2025)
  • Nascidos vivos: 240 (taxa bruta ~12,5/1.000 hab)
  • Pré-natal 7+ consultas: 78,8% (acima da meta MS de 75%)
  • Cesáreas: 70,8% (alerta: trajetória de alta no quadriênio)
  • Gravidez na adolescência: 21,7% (~1,5x a média nacional)
  • Óbitos totais: 102 (circulatório 23, causas externas 20, neoplasias 13)
  • Óbitos infantis: 0 registrados na base local (carece de validação)
  • Notificações compulsórias no período: 544
  • Hanseníase: 45 notificações no quadriênio (área endêmica)
Achados críticos
  • Cesáreas em escalada (de 57,6% para 70,8% em quatro anos), em direção contrária à meta de aumento do parto normal
  • Causas externas com 22 óbitos em 2024 e 20 em 2025, em patamar muito superior aos 9-12 dos dois primeiros anos
  • Hanseníase com 45 notificações em quatro anos, configurando endemicidade ativa que demanda meta operacional explícita no PMS 2026-2029
  • Sífilis em gestante (O98.1) com 20 notificações no quadriênio: indicador-sentinela da qualidade do pré-natal
  • Tuberculose com 17 casos novos (A16.9) e leishmaniose cutânea com 23 (B55.1), em município com perfil rural e mineração
  • Mortalidade por causas mal definidas em 27 óbitos (~7% do total) sinaliza qualidade ainda insuficiente da Declaração de Óbito
Recomendações ao PMS 2026-2029
  • Reverter a curva de cesáreas com protocolo obstétrico no HMP, classificação de Robson e qualificação de enfermagem obstétrica
  • Linha de cuidado materno-infantil com captação no 1º trimestre, busca ativa de gestantes e teste rápido de sífilis em todas as USF
  • Plano municipal de hanseníase com cobertura de exame de contatos intradomiciliares acima de 90% e tratamento supervisionado
  • Plano municipal de prevenção de causas externas (acidentes de trabalho, violência, trânsito) integrado com Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) regional e segurança pública
  • Qualificação da Declaração de Óbito (capacitação anual de profissionais HMP) com meta de 95% de óbitos com causa básica definida
  • Inserção da população indígena como recorte específico da ASIS e do DOMI, com indicadores próprios e pactuação com SESAI/DSEI

2. Perfil de mortalidade

A leitura da mortalidade em Bom Jesus do Tocantins parte de 381 óbitos registrados no SIM local entre 2022 e 2025, com média de 95 óbitos/ano e taxa bruta média de 5,0 por mil habitantes. O ano de 2023 apresentou o menor número de óbitos da série (79), seguido por elevação consistente em 2024 (104) e 2025 (102), com perfil predominantemente masculino e concentração em adultos e idosos.

2.1. Mortalidade geral e taxa bruta

AnoÓbitos totaisPopulação IBGETaxa bruta (/1.000 hab)Variação anual
20229618.6585,1-
20237918.8114,2-17,7%
202410418.9585,5+31,6%
202510219.1295,3-1,9%

Fonte: SIM (base local municipal) cruzado com estimativas IBGE consolidadas no Data Warehouse Akapu. A taxa bruta média de 5,0/1.000 hab no quadriênio é coerente com perfil de município jovem, mas o crescimento de 2023 para 2024 (+31,6%) merece atenção, especialmente porque coincide com o pico das causas externas (22 óbitos) e elevação dos óbitos por neoplasias (18). O Comitê Municipal de Mortalidade deve atuar sobre a qualidade da declaração e sobre a investigação dos óbitos por capítulo XVIII (causas mal definidas).

2.2. Mortalidade por capítulo CID-10

Capítulo CID-102022202320242025Total
IX. Aparelho circulatório (I00-I99)28262423101
XX. Causas externas (V01-Y98)129222063
II. Neoplasias (C00-D48)159181355
X. Aparelho respiratório (J00-J99)869730
XVIII. Sinais e sintomas mal definidos (R00-R99)758727
IV. Endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)546520

Fonte: SIM local DW. As cinco principais causas concentram aproximadamente 79% dos óbitos do quadriênio. As doenças do aparelho circulatório (capítulo IX) e as neoplasias (capítulo II) somadas correspondem a 156 óbitos (cerca de 41% do total), expressão da transição epidemiológica de um município que ainda combina perfil jovem com envelhecimento progressivo e exposição a fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo) e a fatores carcinogênicos ocupacionais (exposição rural a agrotóxicos, poeira mineral, radiação solar).

Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos): a meta do PMS 2022-2025 era reduzir essa taxa para 15% (interpretada como meta de proporção de redução). A composição da mortalidade na faixa de 30 a 69 anos demanda recálculo formal pela Vigilância em Saúde com a fórmula oficial do Ministério da Saúde (óbitos prematuros por circulatório + neoplasias + diabetes + respiratórias crônicas, divididos pela população residente de 30 a 69 anos). Considerando uma população de 9.739 pessoas nessa faixa em 2025 (soma das faixas 30-39, 40-49, 50-59 e 60-69), recomenda-se assumir como meta operacional do PMS 2026-2029 a redução absoluta da taxa de mortalidade prematura por DCNT em 5% até 2029, com revisão quadrimestral nos RDQAs.

2.2.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
20229655,2%
20237945,1%
202410498,7%
202510298,8%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 27 de 381 óbitos ficaram em R00-R99 (7,1%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
IX. Aparelho circulatorioI21Infarto agudo do miocardio3635,6%9,4%
IX. Aparelho circulatorioI64Acidente vascular cerebral nao especificado1514,9%3,9%
IX. Aparelho circulatorioI11Doenca cardiaca hipertensiva109,9%2,6%
IX. Aparelho circulatorioI50Insuficiencia cardiaca98,9%2,4%
IX. Aparelho circulatorioI10Hipertensao essencial primaria55,0%1,3%
XX. Causas externasV89Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado914,3%2,4%
XX. Causas externasV29Motociclista traumatizado em outros acidentes de transporte812,7%2,1%
XX. Causas externasX93Agressao por disparo de arma de fogo de mao69,5%1,6%
XX. Causas externasW87Exposicao a corrente eletrica nao especificada46,3%1,0%
XX. Causas externasX70Lesao autoprovocada intencionalmente por enforcamento/estrangulamento/sufocacao46,3%1,0%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago916,4%2,4%
II. NeoplasiasC61Neoplasia maligna da prostata47,3%1,0%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes47,3%1,0%
II. NeoplasiasC22Neoplasia maligna do figado e vias biliares intra-hepaticas47,3%1,0%
II. NeoplasiasC71Neoplasia maligna do encefalo47,3%1,0%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado1240,0%3,1%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas930,0%2,4%
X. Aparelho respiratorioJ90Derrame pleural nao classificado em outra parte310,0%0,8%
X. Aparelho respiratorioJ96Insuficiencia respiratoria310,0%0,8%
X. Aparelho respiratorioJ15Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte26,7%0,5%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR96Outras mortes subitas de causa desconhecida829,6%2,1%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR99Outras causas mal definidas e nao especificadas de mortalidade829,6%2,1%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR98Morte sem assistencia414,8%1,0%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR54Senilidade414,8%1,0%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR73Aumento da glicemia13,7%0,3%

Em Bom Jesus do Tocantins, o infarto agudo do miocardio lidera o circulatorio, seguido por AVC, cardiopatia hipertensiva e insuficiencia cardiaca. Nas causas externas, acidentes de transporte, motociclistas, arma de fogo, enforcamento e choque eletrico dialogam com a economia rural-mineral e com rodovias. Nas neoplasias, estomago, encefalo, pulmao, figado e prostata indicam necessidade de rastreamento e regulacao diagnostica regional.

2.3. Mortalidade por causas externas

As causas externas (capítulo XX, CID V01-Y98) merecem detalhamento próprio. A análise das 63 mortes do quadriênio mostra concentração em homens jovens (faixa de 20 a 39 anos), com elevação significativa em 2024 e manutenção do patamar em 2025. Em município de pequeno porte com forte presença masculina e economia rural-mineral, esse perfil articula três dinâmicas: acidentes de trânsito na BR-222, BR-153 e estradas vicinais, acidentes de trabalho rural e mineral, e violência interpessoal.

Tipo de causa externa (estimado)2022202320242025Total
Acidentes de transporte (V01-V99)549826
Agressões/homicídios (X85-Y09)438722
Lesões autoprovocadas (X60-X84)11226
Outras causas externas21339

Estimativa indicativa baseada na proporção média observada em municípios da Macrorregional IV; o detalhamento definitivo deve ser produzido pela Vigilância Epidemiológica com extração da tabela de óbitos por causa básica desagregada. Mesmo com aproximação, dois alertas se firmam: a taxa estimada de homicídios em 2025 fica em torno de 36,6 por 100 mil hab (7 óbitos sobre 19.129 hab), valor próximo da média nacional (~22-25/100 mil) mas indicando exposição compatível com o sudeste paraense, e a mortalidade por acidentes de transporte assume protagonismo da curva, exigindo articulação com Detran-PA, Polícia Rodoviária Federal e a SEDOP no Plano de Segurança Viária Municipal.

3. Saúde materno-infantil

Bom Jesus do Tocantins registrou 988 nascidos vivos no quadriênio (média de 247/ano). O recorte materno-infantil é estratégico para o PMS 2026-2029 porque combina avanços (pré-natal 7+) com retrocessos (cesárea), persistência da gravidez na adolescência e zero óbitos infantis na base local, este último indicador a ser interpretado com cautela.

3.1. Indicadores pactuados no PMS 2022-2025 e proposta para 2026-2029

IndicadorLinha de base (2021)Meta plano 2022-2025Realizado 2025 (DW local)Meta proposta 2026-2029
Pré-natal 7+ consultas (% NV)70,0%95,0%78,8%85,0%
Parto normal (% no SUS)60,0%75,0%29,2%50,0%
Gravidez na adolescência (% NV)10,0%6,0%21,7%18,0%
Mortalidade materna (óbitos)0000
Mortalidade infantil (óbitos < 1 ano)000 (verificar)0
Sífilis congênita (casos novos)00Em apuração0

Fonte: PMS 2022-2025 de Bom Jesus do Tocantins, PAS 2025 e SINASC local DW. A leitura crítica revela três pontos: a meta de 95% de pré-natal 7+ era irrealista para o quadriênio anterior, ainda que tenha sido superada a meta MS de 75%; a meta de 75% de parto normal foi gravemente descumprida, com cesáreas chegando a 70,8% em 2025; a meta de 6% de gravidez na adolescência foi ultrapassada em mais do que três vezes pelo realizado de 21,7%.

3.2. Pré-natal, parto e gravidez na adolescência

AnoTotal NVPré-natal 7+% 7+Cesárea% cesáreaMães 10-19% adolescente
202223814862,2%13757,6%6025,2%
202323816870,6%12753,4%6929,0%
202427221779,8%15858,1%4817,6%
202524018978,8%17070,8%5221,7%

Fonte: SINASC local DW. O pré-natal 7+ teve melhora consistente no quadriênio, saltando de 62,2% para 78,8% (variação de +16,6 pontos percentuais). A proporção de cesáreas, ao contrário, apresentou trajetória de aumento, com aceleração em 2025: o município passa de 57,6% no início do quadriênio para 70,8% no fim, inversão crítica para a meta MS de aumento do parto normal. A gravidez na adolescência caiu em 2024 (17,6%) e voltou a subir em 2025 (21,7%), em padrão oscilante que evidencia ausência de programa estruturado de saúde sexual e reprodutiva intersetorial.

Mortalidade infantil: a base local SIM não registra óbitos de menores de 1 ano em todo o quadriênio 2022-2025 sob critério de residência. Esse zero deve ser tratado como hipótese a ser validada pelo Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Infantis e Fetais. Recomenda-se, antes da aprovação do PMS 2026-2029, cruzamento com SIM federal (DATASUS) sob critério de ocorrência e com a maternidade de referência regional (Hospital Municipal de Marabá) para identificar eventuais casos com lugar de ocorrência fora do município.

3.3. Onde acontecem os partos das mães residentes

A análise do local de ocorrência dos partos mostra que Bom Jesus do Tocantins mantém capacidade obstétrica relevante no próprio território, mas não é autossuficiente. Entre 2021 e 2025, 61,4% dos partos de mães residentes ocorreram no próprio município e 33,9% ocorreram em Marabá, polo da Região de Saúde Carajás. Essa combinação aponta dupla responsabilidade para o PMS 2026-2029: qualificar o Hospital e Maternidade Popular para o parto de risco habitual e manter pactuação regional clara para os casos que exigem retaguarda hospitalar em Marabá.

Município de ocorrênciaUFRegião de SaúdePartos no período% do totalMediana anual
Bom Jesus do TocantinsPACarajás69861,4%148
MarabáPACarajás38533,9%101
Rondon do ParáPACarajás262,3%6
BelémPAMetropolitana I90,8%2
Abel FigueiredoPACarajás50,4%2
TucuruíPALago de Tucuruí30,3%2
Outros municípiosPA/MA/TODiversas111,0%1
Total--1.137100,0%-

No recorte por estabelecimento, a produção confirma a centralidade local: o Hospital e Maternidade Popular Bom Jesus concentrou 701 partos no período 2020-2024, equivalente a 54,5% do total. A principal referência externa foi o Hospital Materno Infantil de Marabá, com 379 partos (29,5%). A presença do Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso, sob gestão estadual, ainda que com menor volume, marca a retaguarda regional para casos de maior complexidade.

CNES / estabelecimentoMunicípioUFTipo de unidadeTipo de gestãoSituação CNESPartos% do total
Hospital e Maternidade Popular Bom JesusBom Jesus do TocantinsPAHospitalMunicipalAtivo70154,5%
Hospital Materno Infantil de MarabáMarabáPAHospitalMunicipalAtivo37929,5%
Hospital Central MarabáMarabáPAHospitalMunicipalAtivo846,5%
Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo VelosoMarabáPAHospital regionalEstadualAtivo231,8%
CLIMECMarabáPAHospital / clínicaMunicipalDesativado221,7%
Hospital Municipal de Rondon do ParáRondon do ParáPAHospitalMunicipalAtivo151,2%
Sem CNES informado--Registro sem estabelecimento informadoSem informação-120,9%
Outros estabelecimentosDiversosPADiversosMunicipal/Estadual/DuplaAtivo/desativado503,9%
Total-----1.286100,0%

A síntese por tipo de gestão mostra que 95,8% dos partos ocorreram em estabelecimentos sob gestão municipal, o que diferencia Bom Jesus do Tocantins de municípios sem maternidade local. Mesmo assim, os 41 partos em gestão estadual e a concentração de quase um terço dos partos em Marabá justificam manter pactuação regional, transporte sanitário e contrarreferência puerperal como pontos explícitos do DOMI e do PMS.

Tipo de gestãoEstabelecimentos distintosPartos no período% do total
Municipal111.23295,8%
Estadual3413,2%
Sem gestão informada / sem CNES-120,9%
Dupla110,1%
Total-1.286100,0%

3.4. Sífilis em gestante e em criança

A base local SINAN registrou 20 notificações do CID O98.1 (sífilis em gestante) no quadriênio. Esse número, em município com 988 NV no período, sinaliza taxa de detecção média de 20,2 por mil NV, valor superior ao parâmetro-alerta nacional. A sífilis em gestante é indicador-sentinela do pré-natal e exige resposta operacional imediata: teste rápido na primeira consulta, segunda testagem no terceiro trimestre, tratamento da parceria sexual e investigação obrigatória de cada caso pela Vigilância. A meta operacional para 2026-2029 deve ser zero sífilis congênita, mantida na PAS 2025 e a ser confirmada pelo SINASC local.

4. Perfil de morbidade hospitalar

O Hospital Municipal (Hospital e Maternidade Popular - HMP) é a principal porta de entrada hospitalar no município, com 31 leitos (12 clínica geral, 6 cirurgia geral, 7 obstétricos, 6 pediátricos), todos SUS. A análise das internações registradas via SIH-SUS para residentes de Bom Jesus do Tocantins permite classificar o perfil predominante e estimar a proporção de internações por condições sensíveis à Atenção Básica (ICSAB), métrica central para o PMS 2026-2029.

Cobertura de leitos hospitalares: 31 leitos para 19.129 habitantes representam 1,62 leito por mil habitantes, valor abaixo do parâmetro do MS (2,5 a 3,0 leitos/mil hab). A demanda excedente é absorvida pelos hospitais de Marabá (Hospital Geral Municipal de Marabá, Hospital Materno-Infantil) e, em alta complexidade, por Belém via TFD.

4.1. Internações por condições sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)

A meta do PMS 2022-2025 era atingir proporção máxima de 50% de ICSAB ao final do ciclo. Esse parâmetro está muito acima da média nacional (~25-30%) e, na prática, indica que a meta foi pactuada de forma a ser cumprida sem esforço, em vez de orientar a melhoria da APS. Para o PMS 2026-2029, recomenda-se estabelecer meta progressiva de redução para 25% até 2029, com base em monitoramento mensal de internações por hipertensão, diabetes, asma, infecções urinárias, gastroenterites e pneumonias bacterianas comunitárias.

4.2. Internações por causas externas e por causa obstétrica

As internações por causas externas (capítulo XIX) e por gravidez/parto/puerpério (capítulo XV) são esperadas como duas das três principais causas em municípios com perfil rural-mineral e com maternidade hospitalar pública. O detalhamento por tipo (acidentes de transporte, agressões, intoxicações exógenas) deve ser extraído da base SIH para residentes do município (codmunres = 150157) e cruzado com SIM e SINAN para fechar a tríade vigilância-assistência-mortalidade.

5. Vigilância epidemiológica e agravos notificados

O quadriênio acumulou 544 notificações compulsórias na base SINAN local de Bom Jesus do Tocantins, com perfil concentrado em três grandes blocos: agravos do território amazônico (hanseníase, leishmaniose tegumentar, malária, tuberculose), acidentes (com animais peçonhentos, com forças da natureza, de trabalho e de transporte) e violência interpessoal. A leitura conjunta sugere endemicidade ativa para hanseníase e LTA, alta exposição ocupacional rural e necessidade de fortalecimento da vigilância e da resposta da APS.

5.1. Hanseníase, tuberculose e sífilis

AgravoTotal no quadriênioMédia anualMeta PMS 2022-2025Meta proposta 2026-2029
Hanseníase (A30.9)4511,3100% cura95% cura + 90% contatos examinados
Tuberculose (A16.9)174,3100% cura90% cura + 100% testagem HIV
Sífilis em gestante (O98.1)205,0Não pactuadaTratamento adequado em 100%
Sífilis adquirida e congênita (A53)Em apuração-Sífilis congênita = 0Sífilis congênita = 0

Fonte: SINAN local DW. A hanseníase é o agravo de maior peso no perfil endêmico, com 45 notificações em quatro anos e prevalência consistente. Esse volume coloca Bom Jesus do Tocantins em condição de área endêmica, conforme classificação operacional do Ministério da Saúde, exigindo: busca ativa contínua nas equipes de saúde da família, exame de contatos intradomiciliares com cobertura ≥ 90%, tratamento poliquimioterápico supervisionado (PQT-U), acompanhamento de incapacidades físicas e articulação com a SESPA para insumos.

Tuberculose: 17 casos novos no quadriênio (média de 4,3/ano) em município com 19,1 mil hab implicam coeficiente de incidência médio aproximado de 22,5/100 mil hab/ano, valor próximo do limite superior nacional (~25/100 mil). Recomenda-se tratamento diretamente observado (TDO) em 100% dos casos, baciloscopia de controle no 2º mês de tratamento, testagem HIV em 100% dos casos novos e busca ativa de sintomáticos respiratórios (SR) na APS com meta de 1% da população cadastrada/ano (~85 SR examinados/ano).

5.2. Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Em 2025, o SINAN registrou 178 notificações de residentes do município. Os maiores volumes foram Atendimento antirrábico (50), Violência interpessoal/autoprovocada (23), Acidente por animais peçonhentos (17), compondo um retrato anual mais recente da demanda da Vigilância Epidemiológica por agravo, sexo e faixa etária.

AgravoTotal 2025MasculinoFemininoMediana de idadeFaixa etária predominante
Atendimento antirrábico (W64)50282237,040-49 anos
Violência interpessoal/autoprovocada (Y09)234192720-29 anos
Acidente por animais peçonhentos (X29)171164920-29 anos
Acidente de trabalho grave (Y96)1614231,520-29 anos
Hanseníase (A30.9)13944030-39 anos
Sífilis em gestante (O98.1)110112220-29 anos
Leishmaniose visceral (B55.0)85314,01-4 anos
Tuberculose (A16.9)7524120-29 anos
Leishmaniose tegumentar americana (B55.1)64241,530-39 anos
Aids (B24)5323920-29 anos
Hepatites virais (B19)5233930-39 anos
Acidente de trabalho com exposição a material biológico (Z20.9)42233,020-29 anos
Sífilis congênita (A50.9)4310,0< 1 ano
Sífilis não especificada (A53.9)43131,030-39 anos
Intoxicação exógena (T65.9)2116,010-14 anos
Toxoplasmose (B58)20230,520-29 anos
Sífilis em adulto (A53)1012620-29 anos

Atendimento antirrábico

Atendimento antirrábico concentrou 50 notificações em 2025, com predominância masculina e maior peso em 40-49 anos. O padrão reforça a necessidade de vacinação antirrábica animal, profilaxia pós-exposição sem atraso e educação comunitária sobre mordeduras e arranhaduras.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
< 1 ano1012,0%
1-4 anos1012,0%
5-9 anos43714,0%
10-14 anos2136,0%
15-19 anos23510,0%
20-29 anos2248,0%
30-39 anos43714,0%
40-49 anos561122,0%
50-59 anos50510,0%
60-69 anos2248,0%
70+ anos0224,0%

Violência interpessoal/autoprovocada

Violência interpessoal/autoprovocada teve 23 notificações, com predominância feminina e maior concentração em 20-29 anos. Por ser agravo sensível e tradicionalmente subnotificado, o dado deve orientar fluxo protegido de acolhimento, notificação em todas as unidades, CAPS/APS e articulação com assistência social e segurança pública.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
1-4 anos1014,3%
10-14 anos0228,7%
15-19 anos12313,0%
20-29 anos15626,1%
30-39 anos04417,4%
40-49 anos12313,0%
50-59 anos0114,3%
60-69 anos0114,3%
70+ anos0228,7%

Acidente por animais peçonhentos

Acidente por animais peçonhentos somou 17 notificações, predominando em 20-29 anos e com concentração masculina. A leitura aponta exposição rural e ocupacional, exigindo fluxo pactuado para soro, transporte sanitário oportuno e ações preventivas em áreas de roçado, mata e igarapé.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
10-14 anos0115,9%
20-29 anos22423,5%
30-39 anos20211,8%
40-49 anos11211,8%
50-59 anos31423,5%
60-69 anos20211,8%
70+ anos11211,8%

Acidente de trabalho grave

Acidente de trabalho grave registrou 16 notificações, majoritariamente em homens e em idade produtiva, com faixa predominante 20-29 anos. O PMS deve fortalecer a Vigilância em Saúde do Trabalhador, inclusive nos vínculos informais da agricultura, extrativismo, construção e transporte.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
< 1 ano1016,3%
15-19 anos1016,3%
20-29 anos42637,5%
30-39 anos30318,8%
40-49 anos20212,5%
50-59 anos20212,5%
60-69 anos1016,3%

Hanseníase

Hanseníase apresentou 13 notificações, com predominância masculina e faixa principal 30-39 anos. O achado sustenta busca ativa, exame de contatos intradomiciliares, avaliação de incapacidades e acompanhamento regular pela APS.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
5-9 anos1017,7%
20-29 anos0117,7%
30-39 anos31430,8%
40-49 anos21323,1%
50-59 anos1017,7%
60-69 anos21323,1%

Sífilis em gestante

Sífilis em gestante somou 11 notificações, concentradas em mulheres de 20-29 anos. O padrão é marcador direto da qualidade do pré-natal: testagem no início e no terceiro trimestre, tratamento oportuno com penicilina e manejo da parceria sexual precisam aparecer como metas operacionais do PMS.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
15-19 anos0119,1%
20-29 anos09981,8%
30-39 anos0119,1%

Leishmaniose visceral

Leishmaniose visceral teve 8 notificações, distribuídas entre crianças, adultos e idosos, com faixa predominante 1-4 anos. A resposta deve articular diagnóstico oportuno, referência clínica e vigilância ambiental de reservatórios e vetores.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
1-4 anos11225,0%
5-9 anos01112,5%
10-14 anos10112,5%
15-19 anos01112,5%
30-39 anos10112,5%
60-69 anos10112,5%
70+ anos10112,5%

Tuberculose

Tuberculose registrou 7 notificações, com predominância masculina e concentração em 20-29 anos. A leitura exige busca de sintomáticos respiratórios, Tratamento Diretamente Observado e testagem HIV em 100% dos casos novos.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
20-29 anos11228,6%
30-39 anos10114,3%
40-49 anos11228,6%
50-59 anos20228,6%

Leishmaniose tegumentar americana

Leishmaniose tegumentar americana registrou 6 notificações, com predominância masculina e faixa principal 30-39 anos. O padrão é compatível com exposição em área de mata e trabalho rural, demandando vigilância entomológica, diagnóstico parasitológico e orientação preventiva.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
5-9 anos10116,7%
15-19 anos01116,7%
30-39 anos10116,7%
40-49 anos10116,7%
50-59 anos01116,7%
60-69 anos10116,7%

Aids

Aids somou 5 notificações, volume que permite leitura agregada sem expor casos individuais. O PMS deve manter testagem, vínculo ao cuidado especializado, adesão ao tratamento e prevenção combinada articuladas à APS.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
20-29 anos20240,0%
30-39 anos01120,0%
40-49 anos01120,0%
50-59 anos10120,0%

Hepatites virais

Hepatites virais apresentou 5 notificações, com predominância feminina e concentração em 30-39 anos. A resposta deve combinar testagem, vacinação quando indicada, investigação de contatos e referência para seguimento clínico.

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
30-39 anos21360,0%
50-59 anos02240,0%

Demais agravos apareceram com volume residual em 2025 e devem ser acompanhados em prosa, sem abertura excessiva por faixa etária: Acidente de trabalho com exposição a material biológico (4, 2 masculinas e 2 femininas); Sífilis congênita (4, 3 masculinas e 1 femininas); Sífilis não especificada (4, 3 masculinas e 1 femininas); Intoxicação exógena (2, 1 masculinas e 1 femininas); Toxoplasmose (2, 2 femininas); Sífilis em adulto (1, 1 femininas). O baixo volume não elimina relevância sanitária, especialmente em agravos sensíveis como sífilis congênita, intoxicação exógena e exposições biológicas, mas recomenda cautela para evitar leitura instável de percentuais e risco de identificação indireta.

SINAN, base local municipal de residentes, ano civil 2025. Consulta consolidada em abril/2026; números sujeitos a atualização por digitação tardia, investigação e encerramento de fichas.

5.3. Doenças do território amazônico

AgravoTotal no quadriênioCaracterística do município
Leishmaniose cutânea (B55.1)23Endêmica em zona rural com mata ciliar e fundo de vale
Malária (autóctone)Em apuraçãoSem registro de incidência em 2020-2021 conforme PMS 2022-2025
Dengue (óbitos)0Meta zero mantida

Fonte: SINAN local DW e PMS 2022-2025. A leishmaniose tegumentar americana (B55.1) configura agravo endêmico ativo, com 23 notificações no quadriênio. O perfil ocupacional típico (homens adultos em agricultura familiar, extrativismo vegetal e abertura de novas áreas em áreas de mata) recomenda intensificação da educação em saúde, distribuição de repelentes e mosquiteiros impregnados, vigilância entomológica e diagnóstico parasitológico oportuno. O tratamento ambulatorial deve ser garantido com antimoniais pentavalentes (Glucantime, componente estratégico federal), com referência ao Instituto Evandro Chagas (IEC, Ananindeua) e ao polo regional Marabá para casos mucosos ou refratários.

5.4. Acidentes com animais e de trabalho

Agravo (CID-10)Total no quadriênioImplicação
W64 - acidentes com animais179Demanda de soro antiveneno e fluxo regulado de transferência
X29 - exposição a forças da natureza77Acidentes com animais peçonhentos rurais (escorpião, lagarta, abelha)
Y96 - acidente de trabalho40Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT)
Y09 - violência/agressão50Plano municipal de prevenção da violência

Fonte: SINAN local DW. As 179 notificações de acidentes com animais (W64) e as 77 de exposição a forças da natureza (X29) configuram o agravo de maior volume da vigilância municipal, expressão direta do perfil rural extensivo e do contato cotidiano com fauna silvestre e doméstica (cães, equinos, bovinos, animais peçonhentos). O município precisa garantir estoque permanente de soros antiofídico, antiescorpiônico e antiaracnídico no HMP, com fluxo formalizado para casos graves para Marabá. As 40 notificações de acidente de trabalho (Y96) e as 50 de violência (Y09) compõem painel ocupacional e de violência interpessoal que demanda articulação com o CEREST regional e com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

6. Doenças do território do sudeste paraense

O sudeste paraense, em particular o entorno da Estrada de Ferro Carajás e da BR-222, configura cenário epidemiológico próprio, com o cruzamento de quatro determinantes: a expansão da fronteira agropecuária, a presença da Província Mineral de Carajás (S11D, N4-N5, ferro, cobre), a urbanização acelerada de polos como Marabá e Parauapebas, e a permanência de populações tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos) em áreas de pressão fundiária.

6.1. Hanseníase no sudeste paraense

O Pará é um dos estados brasileiros de maior carga de hanseníase, e a Macrorregional IV (sudeste paraense) é uma das que mais notificam casos novos. Bom Jesus do Tocantins, com 45 notificações em 2022-2025, integra esse mosaico endêmico. A vigilância nesse cenário exige busca ativa nas equipes de saúde da família, mapeamento de áreas hiperendêmicas (com coeficiente de detecção acima de 40/100 mil hab), realização de campanhas anuais (Janeiro Roxo) e articulação regional com Marabá, Curionópolis e Parauapebas para captação de contatos intermunicipais.

6.2. Leishmaniose, malária e arboviroses

O município convive com a leishmaniose tegumentar americana como agravo endêmico (23 notificações no quadriênio), enquanto malária e dengue exigem vigilância permanente sem que tenham produzido óbitos no período. A combinação de mata ciliar, fundo de vale, criação extensiva e proximidade com áreas de pequena mineração mantém o cenário propício para flebotomíneos (Lutzomyia spp.) e Aedes aegypti. A agenda de controle vetorial integrado, prevista no PMS 2022-2025 com 6 ciclos anuais de visita domiciliar para dengue, deve ser preservada e ampliada com monitoramento entomológico.

6.3. Acidentes ocupacionais rurais e mineração informal

Os 40 casos notificados de acidente de trabalho (Y96) provavelmente subestimam a magnitude real, dada a alta prevalência de informalidade na economia local (lavoura familiar, pecuária, garimpo, prestação de serviços de transporte). A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Portaria GM/MS 1.823/2012) determina notificação compulsória dos acidentes de trabalho graves, fatais e com crianças/adolescentes. A meta operacional para 2026-2029 deve ser dobrar o número de notificações qualificadas de Y96, em parceria com o CEREST regional e com inspeções da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

7. Saúde mental e violência autoprovocada

O município conta com Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) tipo I em estrutura própria. As 50 notificações de violência interpessoal/autoprovocada (Y09) no quadriênio precisam ser desagregadas pela Vigilância para distinguir violência por terceiros (homicídios, agressões) de tentativas de suicídio e de automutilação. As 6 mortes estimadas por lesões autoprovocadas no quadriênio (média de 1,5/ano) sinalizam a necessidade de monitoramento contínuo, articulação CAPS-APS e implantação de protocolo de pós-tentativa (follow-up de até 6 meses).

Linha de cuidado em saúde mental: a Política Municipal de Acolhimento Psicossocial a crianças e adolescentes prevista no PMS 2022-2025 deve ser efetivamente implantada, com base na Lei 10.216/2001 (reforma psiquiátrica) e na RDC GM/MS 3.088/2011 (RAPS). A pactuação regional via CIR é fundamental para garantir referência hospitalar de saúde mental (leitos integrais em hospital geral) e atendimento ao usuário de álcool e outras drogas, hoje dependente de Marabá.

8. Qualidade da informação em saúde

A confiabilidade do perfil epidemiológico depende da qualidade dos sistemas de informação alimentados pelas equipes municipais. Bom Jesus do Tocantins apresenta dois desafios estruturais: a proporção de óbitos com causa mal definida (capítulo XVIII, R00-R99) e a captação de notificações compulsórias na rotina das equipes.

8.1. Óbitos com causa mal definida

Os 27 óbitos no capítulo XVIII no quadriênio representam aproximadamente 7,1% do total. O parâmetro nacional considera adequado patamar inferior a 5%. A meta operacional para 2026-2029 deve ser reduzir essa proporção para 5% até 2027 e para 3% até 2029, mediante: capacitação anual dos profissionais médicos do HMP no preenchimento da Declaração de Óbito, pactuação com o IML/Marabá para retorno de informações de óbitos investigados, treinamento da Vigilância para fechamento de causa básica em até 60 dias após o óbito.

8.2. Subnotificação e captação no SINAN

A média anual de 136 notificações no SINAN local (544 em quatro anos) é compatível com município de pequeno porte, mas pode subestimar a real ocorrência de hanseníase, tuberculose e violência. Recomenda-se incluir no PMS 2026-2029 indicadores de processo: 100% das unidades de saúde notificadoras (USF, CAPS, HMP, vigilância sanitária), capacitação anual em ficha de notificação, monitoramento mensal pela Vigilância Epidemiológica e devolução de dados ao Conselho Municipal de Saúde.

9. Problemas priorizados para o DOMI do PMS 2026-2029

Os problemas listados a seguir são insumo direto para a construção das Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores (DOMI) do PMS 2026-2029. Cada problema crítico deve gerar pelo menos um objetivo e uma meta no plano, com indicador apurável quadrimestralmente.

9.1. Problemas críticos

#ProblemaEvidênciaImplicação para o DOMI
E1Trajetória de aumento da cesárea (de 57,6% em 2022 para 70,8% em 2025), em direção contrária à meta MS de 75% de parto normalSINASC local, 4 anosDiretriz 2 - revisão obstétrica do HMP, classificação de Robson, enfermagem obstétrica, meta 50% parto normal
E2Hanseníase com 45 notificações em quatro anos (~11/ano), endemicidade ativaSINAN localDiretriz 5 - plano municipal de hanseníase, contatos intradomiciliares examinados ≥ 90%, PQT-U supervisionado
E3Causas externas em alta no quadriênio (de 12 em 2022 para 20 em 2025), com pico de 22 em 2024SIM localDiretriz 5 - plano municipal de prevenção da violência, segurança viária, articulação com VISAT regional
E4Sífilis em gestante com 20 notificações no quadriênioSINAN localDiretriz 2 - teste rápido em 100% das gestantes, segunda testagem no 3º trimestre, tratamento de parceria
E5Gravidez na adolescência em 21,7% em 2025 (~1,5x média nacional)SINASC localDiretriz 2 e 3 - PSE robusto, métodos contraceptivos LARC, articulação intersetorial educação-saúde-assistência social
E6Mortalidade por DCNT (101 óbitos por circulatório + 55 por neoplasias = 41% do total)SIM localDiretriz 3 - estratificação de risco cardiovascular, rastreamento de câncer, redução da taxa prematura por DCNT

9.2. Problemas importantes

#ProblemaEvidênciaImplicação para o DOMI
E7Leishmaniose tegumentar americana endêmica (23 notificações)SINAN localDiretriz 5 - controle vetorial, diagnóstico parasitológico, garantia de Glucantime
E8Tuberculose em coeficiente próximo do limite superior nacional (17 casos / 4 anos)SINAN localDiretriz 5 - tratamento diretamente observado (TDO), busca ativa de SR, testagem HIV em 100%
E9Acidentes com animais e forças da natureza (256 notificações W64+X29)SINAN localDiretriz 4 - estoque permanente de soros antiveneno, fluxo regulado para casos graves
E10Mortalidade por causa mal definida em 7,1%SIM localDiretriz 5 - capacitação de DO, meta progressiva 5% (2027) e 3% (2029)
E11Cobertura de leitos hospitalares em 1,62/mil hab, abaixo do parâmetro MSCNES + IBGEDiretriz 4 - revisão do dimensionamento e pactuação regional de leitos com Marabá
E12População indígena sem recorte específico nas metasPMS 2022-2025Diretriz transversal - construir indicadores próprios para a população indígena, em articulação com SESAI/DSEI

9.3. Lacunas de informação

#LacunaFonte esperadaImpacto na análise
L1Detalhamento de causas externas por tipo (transporte, agressão, autoprovocada)SIM local com causa básica desagregadaEstimativa indicativa apresentada precisa de validação
L2Cobertura vacinal por imunobiológicoSIPNI (não integrado ao DW na fase atual)Impossibilidade de identificar vacinas com cobertura heterogênea
L3Mortalidade infantil sob critério de ocorrênciaSIM federal e SINASC federal cruzadosValidação do zero registrado na base local
L4Prevalência de hipertensão e diabetese-SUS AB local (PEC)Perfil de DCNT baseado apenas em mortalidade
L5Internações por causas externas desagregadasSIH local com CID V01-Y98Articulação assistência-mortalidade ainda incompleta
L6Sífilis adquirida e congênita - desagregação completaSINAN A53 + SINASCAvaliação da efetividade do pré-natal

9.4. Recomendações estratégicas para o PMS 2026-2029

1. Reverter a curva de cesáreas no HMP: implantar protocolo obstétrico baseado em classificação de Robson, ampliar atuação de enfermeiras obstétricas, garantir indução adequada com misoprostol/ocitocina e qualificar acolhimento na maternidade. Meta operacional: 50% de parto normal em 2029.
2. Plano municipal de hanseníase: cobertura de exame de contatos intradomiciliares ≥ 90%, tratamento poliquimioterápico supervisionado, busca ativa nas USF, campanha Janeiro Roxo anual, pactuação regional via CIR Carajás. Meta: redução de 30% nos casos novos até 2029.
3. Plano municipal de prevenção da violência: integração com Detran-PA, Polícia Rodoviária Federal, CEREST regional, segurança pública e CRAS/CREAS. Reduzir mortalidade por causas externas em 25% até 2029.
4. Linha de cuidado materno-infantil: captação de gestante até a 12ª semana, teste rápido de sífilis e HIV em 100%, sífilis congênita zero, gravidez na adolescência reduzida a 18% até 2029, manutenção de zero óbito materno e zero óbito infantil (com investigação ativa de 100% dos óbitos em mulheres em idade fértil e em menores de 1 ano).
5. Qualificação da Declaração de Óbito: capacitação anual dos médicos do HMP, retorno do IML, fechamento de causa básica em até 60 dias, redução da causa mal definida para 3% até 2029.
6. Inserção da população indígena no DOMI: indicadores próprios pactuados com SESAI/DSEI Kayapó/Araguaia, segundo as diretrizes do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena.
7. Integração SIM/SINASC/SINAN/SIH no Data Warehouse: priorizar a importação contínua das fontes locais e federais para viabilizar monitoramento mensal dos indicadores epidemiológicos ao longo do quadriênio 2026-2029.

Legislação citada

  • Constituição Federal de 1988, artigos 196 a 200 (direito à saúde, organização do SUS).
  • Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde): organização e funcionamento do SUS.
  • Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990: participação social no SUS e transferências intergovernamentais.
  • Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001: reforma psiquiátrica e proteção das pessoas com transtornos mentais.
  • Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011: regulamentação da Lei nº 8.080/1990, regiões de saúde, Mapa da Saúde.
  • Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012: financiamento mínimo de saúde por entes federados (15% para municípios).
  • Portaria GM/MS nº 1.823, de 23 de agosto de 2012: Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.
  • Portaria GM/MS nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011: Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 1, de 28 de setembro de 2017: instrumentos de gestão (PMS, PAS, RAG, RDQA), Título IV.
  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 28 de setembro de 2017: vigilância em saúde e Lista Nacional de Notificação Compulsória.
  • Portaria GM/MS nº 1.378, de 9 de julho de 2013: ações de vigilância em saúde no SUS.
  • Lei Estadual nº 5.454, de 10 de maio de 1988: criação do município de Bom Jesus do Tocantins (desmembramento de São João do Araguaia).
  • Lei Municipal nº 083/1991: Conselho Municipal de Saúde de Bom Jesus do Tocantins.
  • Lei Municipal nº 05/2018: Fundo Municipal de Saúde de Bom Jesus do Tocantins.

Fontes de dados

  • SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade): base local municipal consolidada no Data Warehouse Akapu; período 2022-2025; consulta abril/2026.
  • SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos): base local municipal consolidada no Data Warehouse Akapu; período 2022-2025; consulta abril/2026.
  • SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação): base local municipal consolidada no Data Warehouse Akapu; período 2022-2025; consulta abril/2026.
  • SIH-SUS (Sistema de Informações Hospitalares): dados de internações, fonte DATASUS/Tabnet consolidada no Data Warehouse Akapu, com filtro pelo código IBGE 150157.
  • Estimativas populacionais: IBGE, Estimativas da População Residente (Censo 2022 e estimativas anuais), via Data Warehouse Akapu, com fonte IBGE/SIDRA e Censo Demográfico 2022.
  • PMS 2022-2025 de Bom Jesus do Tocantins: Plano Municipal de Saúde aprovado, com Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores; PAS 2025 aprovada.
  • CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde): estabelecimentos, leitos, equipes (Hospital Municipal, USF, CAPS), via DATASUS.
  • SCNES (Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde): profissionais, vínculos e cargas horárias.
  • SISAB (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica): produção da APS (consultas, visitas, atividades coletivas).
  • SIOPS: dados orçamentários e financeiros (despesa por subfunção 301-306, % de aplicação mínima).

Referências bibliográficas

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 5ª ed. Brasília: MS, 2022.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual técnico de pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada. Brasília: MS, 2022.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde pública. Brasília: MS, 2016.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. 2ª ed. Brasília: MS, 2019.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar americana. 3ª ed. Brasília: MS, 2017.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes nacionais para o controle das arboviroses urbanas. Brasília: MS, 2024.
  • BRASIL. Ministério da Saúde / FIOCRUZ. Manual de Planejamento no SUS. Brasília: CONASS/CONASEMS, 2016.
  • VICTORA, C. G. et al. Maternal and child health in Brazil: progress and challenges. The Lancet, v. 377, n. 9780, 2011.
  • ROBSON, M. Classification of caesarean sections. Fetal and Maternal Medicine Review, v. 12, 2001.

Glossário técnico

TermoDefinição operacional
Causa básica do óbitoDoença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levou ao óbito, conforme atestado na Declaração de Óbito (DO).
Causa mal definida (capítulo XVIII, R00-R99)Sintomas, sinais e achados anormais que aparecem quando a causa específica do óbito não foi determinada. Indicador de qualidade da informação.
Coeficiente de mortalidade (taxa bruta)Razão entre o número de óbitos em determinada população em um período e a população total no mesmo período, geralmente expressa por 1.000 habitantes.
DCNTDoenças Crônicas Não Transmissíveis: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias (C00-C97), diabetes (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98).
EndemiaOcorrência de uma doença que se mantém habitualmente em uma região, em um número esperado e estável de casos.
Hanseníase (operacional)Doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com tratamento poliquimioterápico padronizado (PQT-U) gratuito no SUS.
ICSABInternações por Condições Sensíveis à Atenção Básica: indicador indireto da efetividade da APS.
Mortalidade infantilÓbitos de crianças menores de 1 ano por 1.000 nascidos vivos no mesmo período. Indicador-síntese das condições de vida e do acesso à saúde.
Mortalidade prematura por DCNTÓbitos por DCNT (circulatório, neoplasias, diabetes, respiratórias crônicas) na faixa de 30 a 69 anos.
PQT-UPoliquimioterapia única para hanseníase, conforme protocolo MS.
Sífilis em gestanteCaso de sífilis identificado em qualquer momento da gestação. Notificação compulsória (CID O98.1).
TDOTratamento Diretamente Observado para tuberculose.
Transição epidemiológicaMudança gradual no perfil de morbimortalidade da população, de doenças infecciosas para crônicas e degenerativas.
Visita domiciliar para controle vetorialInspeção de imóvel pelo agente de combate a endemias para identificar criadouros de Aedes aegypti, com meta de 80% de cobertura por ciclo.

Síntese visual dos achados

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.
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