Contexto e território
Diagnóstico setorial
Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Análise de Situação de Saúde

Bom Jesus do Tocantins, PA (IBGE 150157)

Assessoramento Akapu Saúde
2026
Base legal: Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017, arts. 94-96
Módulo 01Contexto e território

Painel de Indicadores

O painel de indicadores reúne os números-chave que sintetizam a situação de saúde de Bom Jesus do Tocantins e servem de linha de base para as metas do Plano Municipal de Saúde 2026-2029, cobrindo população, produção da Atenção Primária, indicadores materno-infantis e qualidade da informação.

Retrato consolidado do município (2025)

Bom Jesus do Tocantins é um município de Porte I da Região de Saúde Carajás (polo regional Marabá), com 19.129 habitantes estimados em 2025 e trajetória de crescimento sustentado: o saldo da década 2015 a 2025 é de +2.902 habitantes (+17,9%) e, no recorte pós-Censo 2022 a 2025, de +471 habitantes (+2,52%). A composição etária já sinaliza transição demográfica, com 20,9% de crianças (0 a 14 anos), 59,2% de adultos (20 a 59 anos) e 12,6% de pessoas idosas (60 anos ou mais), além de um índice de dependência total de 50,3% e razão de sexo de 128,8 homens para cada 100 mulheres, perfil típico de território sob influência da pecuária e da mineração do sudeste paraense.

A leitura conjunta dos indicadores demográficos e assistenciais orienta o dimensionamento da rede: a base infantil ainda numerosa (3.999 crianças) exige sustentar puericultura, vacinação e vigilância nutricional, enquanto o grupo de 60 anos ou mais (2.404 pessoas, com a faixa de 60 a 69 anos crescendo 14,5% no quadriênio) antecipa demanda crescente por linha de cuidado às doenças crônicas e atenção domiciliar. A projeção técnica indica aproximadamente 19.747 habitantes em 2029, o que recomenda expansão cuidadosa, e não retração, da capacidade instalada ao longo do ciclo do Plano.

Fonte: Caderno de Análise 01, Perfil Demográfico (IBGE, série pós-Censo 2022 a 2025 e projeção PMS para 2026 a 2029).

Produção da Atenção Primária e acesso assistencial

A produção ambulatorial financiada pelo SUS mais que dobrou no quadriênio, passando de 21.892 procedimentos em 2022 para 54.639 em 2025, com salto expressivo em 2024 (54.883 procedimentos), o que sinaliza ampliação do registro e da oferta da Atenção Primária. A base operacional do e-SUS AB registra 21.471 cadastros ativos sem óbito para 20 unidades operando o Prontuário Eletrônico do Cidadão e 31 equipes vinculadas, número que, frente a uma população oficial de 19.129 habitantes, equivale a 112,2% e revela necessidade de higienização cadastral (remoção de duplicidades, inativação de óbitos e de pessoas que migraram) como condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento.

A força de trabalho ambulatorial concentra-se em níveis técnico e de apoio territorial: 53 técnicos de enfermagem, 21 técnicos da Estratégia Saúde da Família e 20 agentes comunitários de saúde, configuração que sustenta a capilaridade do cuidado mas que precisa ser combinada com provimento médico estável e qualificação dos registros para converter contatos territoriais em resolutividade clínica. A leitura prática para o Plano é que o município já dispõe de uma rede capilarizada e em expansão de produção, mas depende de qualificar a informação e de estabilizar vínculos para que esse alcance se traduza em desfechos clínicos melhores.

Fonte: Caderno de Análise 09, Atenção Primária à Saúde (produção ambulatorial SIA/SUS, 2022 a 2025).

Indicadores materno-infantis e de qualidade da informação

O bloco materno-infantil concentra os sinais mais críticos do painel. O pré-natal com 7 ou mais consultas evoluiu de 62,2% (2022) para 78,8% (2025), superando a meta nacional de 75%, mas a proporção de cesáreas seguiu trajetória contrária à boa prática obstétrica, saltando de 57,6% para 70,8% no mesmo período, o que coloca a meta de ampliação do parto normal como prioridade do Plano. A gravidez na adolescência mantém-se elevada, com 21,7% dos nascidos vivos de 2025 em mães de 10 a 19 anos, cerca de uma vez e meia a média nacional, reforçando a centralidade da saúde sexual e reprodutiva e da articulação com educação e assistência social.

Na qualidade da informação, a proporção de óbitos por causas mal definidas ficou em 7,1% no quadriênio (27 de 381 óbitos), acima do parâmetro nacional de referência de 5%, sinalizando que a primeira intervenção do Plano deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade. Soma-se a isso o registro de zero óbitos infantis na base local sob critério de residência, resultado que precisa ser validado pelo Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Infantis e Fetais, e a sífilis em gestante com 20 notificações no período (taxa de 20,2 por mil nascidos vivos), indicador-sentinela da qualidade do pré-natal.

Fonte: Caderno de Análise 02, Perfil Epidemiológico (SINASC local, pré-natal e proporção de cesáreas, 2022 a 2025).

Quadro-resumo de indicadores-chave e metas propostas

Indicador (linguagem de gestão)Situação 2025Meta proposta 2029Fonte
População residente estimada19.129~19.747IBGE, série pós-Censo 2022 a 2025 e projeção PMS
Leitos hospitalares por mil habitantes1,622,5 a 3,0CNES e SIH, capacidade instalada do hospital municipal
Pré-natal com 7 ou mais consultas78,8%85,0%SINASC local, indicadores materno-infantis
Proporção de cesáreas70,8%50,0%SINASC local, indicadores materno-infantis
Gravidez na adolescência (10 a 19 anos)21,7%18,0%SINASC local, indicadores materno-infantis
Óbitos por causas mal definidas7,1%menor que 5%SIM local, qualidade da informação
Cadastros e-SUS AB frente à população oficial112,2%100%e-SUS AB local frente ao IBGE 2025

Valores de referência: parâmetro de leitos do Ministério da Saúde (2,5 a 3,0 por mil habitantes) e meta nacional de pré-natal (75%); as metas 2029 acompanham as propostas dos Cadernos de Análise para o ciclo 2026-2029.

Implicação para a gestão: O painel mostra um município que cresce, amplia a produção da APS e melhora o pré-natal, mas convive com cesáreas em escalada, gravidez na adolescência alta, qualidade da informação aquém do parâmetro e cadastro inflado. O Plano deve fixar metas mensuráveis por indicador (reverter a curva de cesáreas, reduzir gravidez na adolescência, baixar causas mal definidas para menos de 5% e higienizar o e-SUS AB no primeiro ano), com monitoramento quadrimestral nos RDQAs.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Produção ambulatorial em forte expansão, de 21.892 para 54.639 procedimentos entre 2022 e 2025.
  • Pré-natal com 7 ou mais consultas em 78,8%, acima da meta nacional de 75%.
  • Rede capilarizada com 20 unidades operando o e-SUS AB e 31 equipes vinculadas.
Fraquezas
  • Proporção de cesáreas em escalada, de 57,6% para 70,8%, contra a meta de ampliar o parto normal.
  • Óbitos por causas mal definidas em 7,1%, acima do parâmetro nacional de 5%.
  • Cadastro do e-SUS AB em 112,2% da população oficial, indicando duplicidades e falta de higienização.
Oportunidades
  • Cofinanciamento federal do Piso APS (Saúde Brasil 360) condicionado a base cadastral qualificada.
  • Pactuação regional na CIR Carajás e referência a Marabá para média e alta complexidade.
Ameaças
  • Denominadores distorcidos por cadastro inflado podem mascarar metas de cobertura e afetar o financiamento.
  • Gravidez na adolescência em 21,7%, cerca de uma vez e meia a média nacional, pressiona a rede materno-infantil.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Proporção de cesáreas em escalada (70,8% em 2025), contra a meta de ampliar o parto normal445
80
Cadastro do e-SUS AB em 112,2% da população oficial, exigindo higienização para corrigir denominadores454
80
Gravidez na adolescência em 21,7% dos nascidos vivos, cerca de 1,5 vez a média nacional444
64
Cobertura de leitos hospitalares em 1,62 por mil habitantes, abaixo do parâmetro do MS (2,5 a 3,0)434
48
Óbitos por causas mal definidas em 7,1%, acima do parâmetro nacional de 5%433
36
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Cadastro do e-SUS AB inflado (112,2% da população), com duplicidades e óbitos não inativados
Ausência de protocolo obstétrico estruturado e de programa de saúde sexual e reprodutiva
Qualidade insuficiente da Declaração de Óbito e da investigação de mortalidade
Capacidade hospitalar local limitada (1,62 leito por mil habitantes) e dependência de Marabá
Problema centralIndicadores-chave do município comprometidos por base cadastral imprecisa e práticas assistenciais a qualificar
Denominadores distorcidos que mascaram metas de cobertura e afetam o financiamento federal
Cesáreas em 70,8% e gravidez na adolescência em 21,7%, acima das metas pactuadas
Óbitos por causas mal definidas em 7,1%, fragilizando a leitura epidemiológica
Efeitos (consequências)
Módulo 02Contexto e território

Perfil Demográfico

O perfil demográfico fixa o denominador de toda a ASIS: dimensiona cobertura, mortalidade e capacidade instalada, e antecipa a mudança de perfil da demanda que o Plano Municipal de Saúde 2026-2029 terá de absorver ao longo do quadriênio.

Crescimento sustentado e o salto censitário de 2022

Bom Jesus do Tocantins chega ao PMS 2026-2029 em trajetória de crescimento sustentado. Na janela 2015 a 2025, a população passou de 16.227 para 19.129 habitantes, saldo de 2.902 pessoas (mais 17,9%). O ponto de inflexão foi o Censo Demográfico de 2022, que apurou 18.658 habitantes e corrigiu para cima em 1.404 pessoas (mais 8,1%) a projeção que vinha das estimativas pré-censitárias (17.254 em 2021). Essa correção não é detalhe técnico: ela redefine os denominadores de cobertura, recoloca séries históricas em nova base e altera os parâmetros usados no cofinanciamento federal do Piso da Atenção Primária.

Isolando o recorte pós-Censo (2022 a 2025), a tendência efetivamente observada é de crescimento moderado e constante: mais 471 habitantes (mais 2,52%), com taxas anuais entre 0,78% e 0,90%. É essa curva, sem o ruído do salto de 2022, que melhor orienta o planejamento. A projeção por regressão linear sobre a série pós-Censo aponta cerca de 19.747 habitantes em 2029 (mais 618 sobre 2025; mais 3,23%), a um ritmo médio de 156 habitantes por ano, com intervalo de confiança de 95% entre 19.707 e 19.787 para o fim do quadriênio.

Fonte: IBGE, estimativas anuais 2015 a 2021, Censo Demográfico 2022 e estimativas pós-censitárias 2023 a 2025; projeção 2026 a 2029 por regressão linear sobre a série pós-Censo.

Transição demográfica: base que estreita, topo que cresce

A pirâmide etária de 2025 tem perfil de transição avançada. A base infantil já retrai: a faixa de 0 a 4 anos reúne 1.280 pessoas (6,7%), abaixo das faixas de 5 a 9 (1.381) e de 10 a 14 anos (1.338), sinal de queda recente da fecundidade. O bojo está nas idades adultas: o grupo de 20 a 59 anos soma 11.330 pessoas (59,2%), com pico em 30 a 39 anos (3.359). E o topo já demanda planejamento próprio: a população de 60 anos ou mais soma 2.404 pessoas (12,6%), patamar que tende a subir durante o quadriênio.

A leitura conjunta dos grandes grupos confirma a necessidade de organizar a rede em duas velocidades. As crianças de 0 a 14 anos (3.999; 20,9%) e os adolescentes de 15 a 19 (1.396; 7,3%) mantêm demanda relevante de puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e saúde sexual e reprodutiva no curto prazo. Ao mesmo tempo, o segmento de 60 anos ou mais é o que mais cresce em complexidade (multimorbidade, uso contínuo de medicamentos, prevenção de quedas e atenção domiciliar) e exige que a linha de cuidado da pessoa idosa seja estruturada desde o primeiro ano do PMS, e não quando a pressão já aparecer como fila ou perda de continuidade do cuidado.

Fonte: Caderno de Análise 01, estrutura etária por sexo (2025), base demográfica consolidada a partir das fontes oficiais do IBGE.
Fonte: Caderno de Análise 01, grandes grupos etários (2025): crianças de 0 a 14 (3.999; 20,9%), adolescentes de 15 a 19 (1.396; 7,3%), adultos de 20 a 59 (11.330; 59,2%) e idosos de 60 ou mais (2.404; 12,6%).

Dependência demográfica, razão de sexo e base operacional

O índice de dependência total é de 50,3%: para cada 100 pessoas de 15 a 59 anos há cerca de 50 fora dessa faixa, combinando dependência juvenil (31,4%) e senil (18,9%). O indicador é estrutural, não um diagnóstico de dependência econômica efetiva (em território rural, parcela expressiva dos 60 mais segue ativa, sustentada por aposentadoria rural e benefícios assistenciais), mas sinaliza com clareza a dupla pressão sobre a APS. A razão de sexo geral é de 128,8 homens para cada 100 mulheres, com predominância masculina marcada nas idades de 30 a 49 anos (165,5 e 149,5) e inversão feminina apenas a partir dos 80 anos, padrão que reforça a importância da saúde do homem e da prevenção de causas externas.

Um descasamento merece atenção da gestão: o e-SUS AB municipal registra 21.471 cadastros ativos sem óbito para uma população oficial de 19.129 habitantes em 2025 (112,2% da população IBGE). Essa diferença distorce indicadores de cobertura e pode produzir metas aparentemente cumpridas ou descumpridas por erro de base. A higienização cadastral periódica, com cruzamento do registro de óbitos e verificação dos agentes comunitários, é condição técnica para a confiabilidade de todos os demais indicadores da ASIS e precisa entrar como rotina já no primeiro ano do PMS.

Indicador demográficoValor (2025)Parâmetro / leitura para o PMS
População residente (IBGE)19.129Projeção de 19.747 em 2029 (mais 3,23%); base para denominadores de cobertura
Idosos (60 anos ou mais)2.404 (12,6%)Segmento que mais cresce; estruturar linha de cuidado da pessoa idosa
Crianças (0 a 14 anos)3.999 (20,9%)Manter puericultura, vacinação e vigilância nutricional
Índice de dependência total50,3%Dupla pressão (juvenil 31,4% e senil 18,9%) sobre a população ativa
Razão de sexo128,8Predomínio masculino nas idades adultas; reforça saúde do homem
Cadastro e-SUS AB sobre população IBGE112,2%21.471 cadastros ativos; exige higienização cadastral e regra de denominador
Implicação para a gestão: O município não retrai, mas muda de perfil: o Plano deve dimensionar a rede para uma população de cerca de 19.747 habitantes em 2029, estruturar desde o primeiro ano a linha de cuidado da pessoa idosa e das DCNT, preservar a capacidade materno-infantil e adotar a higienização cadastral do e-SUS AB como rotina, fixando o IBGE como população oficial e o e-SUS como base operacional de acompanhamento.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Base demográfica atualizada e analisada (Censo 2022 e estimativas até 2025), pronta para calibrar metas.
  • Bojo populacional adulto (59,2% entre 20 e 59 anos), com força de trabalho e potencial de cuidado familiar.
  • Crescimento moderado e previsível (cerca de 156 habitantes por ano), que favorece o planejamento da expansão.
Fraquezas
  • Envelhecimento progressivo (60 mais em 12,6%) sem linha de cuidado da pessoa idosa estruturada.
  • Cadastro e-SUS AB em 112,2% da população IBGE, distorcendo denominadores e indicadores de cobertura.
  • Índice de dependência total de 50,3%, com dupla pressão (infantil e idosa) sobre a APS.
Oportunidades
  • Revisão da estimativa IBGE 2026 (esperada para julho) para recalibrar metas de cobertura e financiamento.
  • Atenção domiciliar e linha de cuidado da pessoa idosa amparadas em normas federais para municípios do porte.
Ameaças
  • Discrepâncias entre Censo, estimativas anuais e registros locais podem distorcer planejamento e financiamento.
  • Pressão demográfica não antecipada se converte em fila, deslocamento evitável e perda de continuidade do cuidado.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Envelhecimento progressivo (60 mais em 12,6% e crescendo) sem linha de cuidado da pessoa idosa estruturada445
80
Cadastro e-SUS AB em 112,2% da população IBGE, distorcendo denominadores e indicadores444
64
Índice de dependência total de 50,3% pressiona simultaneamente base infantil e topo idoso434
48
Discrepância entre Censo 2022, estimativas anuais e registros locais de população333
27
Base infantil ainda numerosa (3.999 crianças de 0 a 14) exigindo manutenção da capacidade materno-infantil332
18
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Transição demográfica avançada com base infantil estreitando e topo idoso ganhando peso (60 mais em 12,6%)
Índice de dependência total de 50,3%, somando pressão juvenil (31,4%) e senil (18,9%)
Cadastro e-SUS AB em 112,2% da população IBGE, sem higienização periódica
Discrepância entre Censo 2022, estimativas anuais e registros locais de população
Problema centralRede dimensionada para o volume populacional, mas não para a mudança de perfil da demanda no quadriênio 2026-2029
Linha de cuidado da pessoa idosa e das DCNT estruturada de forma tardia, atrás da demanda
Metas de cobertura e financiamento calibradas sobre denominadores imprecisos
Risco de fila, deslocamento evitável e perda de continuidade do cuidado
Efeitos (consequências)
Módulo 03Diagnóstico setorial

Perfil Epidemiológico e Morbimortalidade

O perfil epidemiológico de Bom Jesus do Tocantins, município de Porte I com 19.129 habitantes na Região de Saúde Carajás, combina avanços da rede materno-infantil com agravos persistentes do sudeste paraense, e é base direta para as diretrizes e metas de morbimortalidade do Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Mortalidade: transição epidemiológica e protagonismo das causas externas

O município registrou 381 óbitos no quadriênio 2022-2025 (média de 95 por ano e taxa bruta média de 5,0 por mil habitantes), com perfil predominantemente masculino e concentração em adultos e idosos. Após o vale de 2023 (79 óbitos), houve elevação consistente em 2024 (104) e manutenção em patamar alto em 2025 (102). As doenças do aparelho circulatório lideram a série, com 101 óbitos no período (28 em 2022, depois 26, 24 e 23), seguidas pelas neoplasias, com 55 óbitos. Somadas, as duas causas correspondem a cerca de 41% de toda a mortalidade, expressão clara de um território que combina perfil jovem com envelhecimento progressivo e exposição a fatores de risco cardiovascular e carcinogênicos ocupacionais.

O dado mais sensível, porém, são as causas externas: 63 óbitos no quadriênio, com salto de 12 (2022) para 22 (2024) e manutenção em 20 (2025). Em município com forte presença masculina jovem e economia rural-mineral, esse perfil articula acidentes de transporte nas BR-222 e BR-153 e estradas vicinais (26 óbitos), agressões e homicídios (22 óbitos) e lesões autoprovocadas (6 óbitos). A taxa estimada de homicídios de 2025 aproxima-se de 36,6 por 100 mil habitantes, acima da média nacional, confirmando exposição compatível com o sudeste paraense e exigindo articulação intersetorial com Detran-PA, Polícia Rodoviária Federal, CEREST regional e segurança pública.

Uma terceira frente de atenção é a qualidade da informação: 27 dos 381 óbitos ficaram classificados como causas mal definidas (capítulo XVIII, cerca de 7,1% do total), acima da meta nacional de referência de manter abaixo de 5%, com agravamento em 2024 e 2025 (8,7% e 8,8%). Esse percentual compromete a confiabilidade do perfil de mortalidade e indica que a primeira intervenção do Plano deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade pelo Comitê Municipal.

Fonte: Caderno de Análise, Perfil Epidemiológico (sistemas locais de mortalidade e de nascidos vivos, 2022 a 2025).

Saúde materno-infantil: pré-natal que avança e cesárea em escalada

O município registrou 988 nascidos vivos no quadriênio (média de 247 por ano) e mantém capacidade obstétrica relevante no próprio território: 61,4% dos partos de mães residentes ocorrem em Bom Jesus do Tocantins, sobretudo no Hospital e Maternidade Popular, e 33,9% são referenciados a Marabá, polo da Região de Saúde Carajás. O pré-natal com 7 ou mais consultas teve evolução positiva e consistente, saindo de 62,2% em 2022 para 78,8% em 2025 (variação de 16,6 pontos percentuais), superando a meta nacional de 75% no último ano.

Em direção contrária, a proporção de cesáreas cresceu de 57,6% (137 de 238 em 2022) para 70,8% (170 de 240 em 2025), trajetória oposta à meta do plano anterior de ampliação do parto normal, que se realizou em apenas 29,2% em 2025. Esse descolamento entre um pré-natal qualificado e um modelo de parto cada vez mais cirúrgico aponta para a necessidade de revisão das práticas obstétricas no Hospital e Maternidade Popular, com classificação de Robson e enfermagem obstétrica. A gravidez na adolescência permanece elevada e oscilante: caiu para 17,6% em 2024 e voltou a 21,7% em 2025 (52 de 240 nascidos vivos), cerca de uma vez e meia a média nacional, reforçando a centralidade do PSE e da saúde sexual e reprodutiva intersetorial.

A leitura da mortalidade infantil exige cautela metodológica: a base local não registra óbitos de menores de 1 ano em todo o quadriênio sob critério de residência. Esse zero não pode ser celebrado sem validação, pois pode refletir tanto avanço da rede quanto subnotificação ou registro do óbito em estabelecimento fora do município. O Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Infantis e Fetais deve qualificar essa leitura com cruzamento federal antes da aprovação do Plano.

Fonte: Caderno de Análise, Saúde Materno-Infantil (sistema local de nascidos vivos, 2022 a 2025). Linha tracejada: meta MS de pré-natal de 75%.

Vigilância: endemias do território amazônico e exposição ocupacional

A base local de notificações acumulou 544 registros no quadriênio, concentrados em três blocos: doenças do território amazônico, acidentes (com animais, de trabalho e de transporte) e violência interpessoal. A hanseníase é o agravo de maior peso, com 45 notificações em quatro anos (cerca de 11 por ano), volume que coloca Bom Jesus do Tocantins em condição de área endêmica ativa e exige plano municipal com exame de contatos intradomiciliares e tratamento poliquimioterápico supervisionado. A leishmaniose tegumentar americana soma 23 notificações e a tuberculose, 17 casos novos, com coeficiente de incidência médio próximo de 22,5 por 100 mil habitantes ao ano, junto do limite superior nacional.

A sífilis em gestante (20 notificações no quadriênio) é indicador-sentinela da qualidade do pré-natal e demanda resposta operacional imediata: teste rápido na primeira consulta, segunda testagem no terceiro trimestre e tratamento da parceria sexual, com meta de zero sífilis congênita. O bloco de acidentes confirma o perfil rural-mineral, com forte volume de atendimento antirrábico, acidentes com animais peçonhentos (17 em 2025) e acidentes de trabalho grave (16 em 2025, dos quais 14 em homens), este último a exigir integração com a Vigilância em Saúde do Trabalhador regional.

Fonte: Caderno de Análise, Vigilância Epidemiológica (sistema local de notificação compulsória, 2022 a 2025).

Indicadores-chave de morbimortalidade e metas propostas (2026-2029)

IndicadorRealizado 2025Meta proposta 2029Fonte de gestão
Pré-natal com 7 ou mais consultas78,8%85,0%Sistema de nascidos vivos (base local)
Proporção de parto normal no SUS29,2%50,0%Sistema de nascidos vivos (base local)
Gravidez na adolescência (10 a 19 anos)21,7%18,0%Sistema de nascidos vivos (base local)
Óbitos por causas externas (no ano)20-25%Sistema de mortalidade (base local)
Óbitos com causa mal definida8,8%3,0%Sistema de mortalidade (base local)
Hanseníase: cura e contatos examinadosem apuração95% cura / 90% contatosSistema de notificação (base local)
Sífilis congênita (casos novos)em apuração0Notificação e nascidos vivos (base local)
Implicação para a gestão: O município avança no pré-natal mas regride no modelo de parto, mantém causas externas em patamar crítico e convive com endemias ativas e informação de óbito ainda frágil. O Plano deve priorizar a reversão da curva de cesáreas (meta de 50% de parto normal), o plano municipal de prevenção de causas externas integrado à segurança viária e à saúde do trabalhador, o plano municipal de hanseníase e a qualificação da Declaração de Óbito, com investigação ativa de 100% dos óbitos infantis e maternos.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Pré-natal com 7 ou mais consultas em 78,8% em 2025, acima da meta nacional de 75%.
  • Maternidade própria que concentra 61,4% dos partos de mães residentes no território.
  • Zero óbito materno no quadriênio e ausência de óbito infantil registrado na base local.
Fraquezas
  • Cesárea em escalada (de 57,6% para 70,8% em quatro anos) e parto normal em apenas 29,2%.
  • Causas externas em 20 óbitos no ano, com pico de 22 em 2024, e causa mal definida em 8,8%.
  • Hanseníase endêmica (45 notificações) e sífilis em gestante (20) com captação tardia no pré-natal.
Oportunidades
  • Pactuação na Região de Saúde Carajás com retaguarda obstétrica e de alta complexidade em Marabá.
  • Programas federais de Rede Materno Infantil, hanseníase e saúde do trabalhador para qualificar metas.
Ameaças
  • Economia rural-mineral e rodovias federais que elevam acidentes de trabalho e de transporte.
  • População indígena e comunidades rurais dispersas sem recorte epidemiológico próprio.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Causas externas em alta no quadriênio (12 em 2022 para 20 em 2025, pico de 22 em 2024)554
100
Trajetória de aumento da cesárea (de 57,6% para 70,8%), em direção contrária ao parto normal445
80
Hanseníase com 45 notificações em quatro anos, configurando endemicidade ativa444
64
Sífilis em gestante com 20 notificações, indicador-sentinela do pré-natal443
48
Mortalidade por causa mal definida em 8,8% e zero óbito infantil sem validação433
36
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Economia rural-mineral e rodovias federais que expõem homens jovens a acidentes e violência
Modelo obstétrico com cesárea em escalada e baixa oferta de enfermagem obstétrica no HMP
Endemicidade de hanseníase e leishmaniose com vigilância e busca ativa ainda insuficientes
Qualidade frágil da Declaração de Óbito, com 8,8% de causas mal definidas
Problema centralCarga de morbimortalidade evitável elevada, marcada por causas externas, endemias do território e modelo de parto cirúrgico
Mortalidade por causas externas em patamar crítico (20 óbitos no ano, pico de 22 em 2024)
Gravidez na adolescência em 21,7% e sífilis em gestante como sentinela do pré-natal
Perfil epidemiológico distorcido por subinformação e óbito infantil zero sem validação
Efeitos (consequências)
Módulo 04Diagnóstico setorial

Rede Assistencial e Capacidade Instalada

A rede assistencial e a capacidade instalada definem o que Bom Jesus do Tocantins resolve dentro do próprio território e o que precisa referenciar à Região de Saúde Carajás, sendo base direta para as diretrizes e metas do Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Capacidade instalada: rede própria e o gargalo de leitos

Bom Jesus do Tocantins é município de pequeno porte (19.129 habitantes em 2025) com população 100% dependente do SUS e rede integralmente sob gestão municipal. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde aponta 18 estabelecimentos ativos na competência 12/2025: 7 Unidades Básicas de Saúde, 4 ambulatórios, 1 Hospital e Maternidade Popular, 1 Central de Regulação, 2 centrais de gestão, 1 central de abastecimento farmacêutico, 1 laboratório de prótese dentária e 1 unidade de atenção psicossocial (CAPS I). Somam-se ainda 2 postos de saúde indígena de natureza federal (Aldeia Krikateje e Mãe Maria), o que reforça a necessidade de recorte e articulação com a saúde indígena no Plano.

O ponto crítico da capacidade instalada está nos leitos hospitalares. O Hospital e Maternidade Popular (CNES 2678624) concentra 31 leitos, todos SUS, distribuídos em 12 de clínica geral, 6 de cirurgia geral, 6 de pediatria clínica, 5 de obstetrícia clínica e 2 de obstetrícia cirúrgica. Para os 19.129 habitantes, isso equivale a 1,62 leito por mil habitantes, bem abaixo do parâmetro de referência de 2,5 a 3,0 leitos por mil. O município opera, portanto, com folga estreita para urgência, parto e internação de baixa complexidade, e sem nenhum leito de retaguarda para média e alta complexidade, que dependem integralmente da referência regional em Marabá.

Fonte: Caderno de Análise 03, Rede Assistencial (perfil de leitos do Hospital e Maternidade Popular, CNES, competência 12/2025).

Produção ambulatorial em expansão e o salto de 2024

A produção ambulatorial financiada pelo SUS no território cresceu de forma expressiva no quadriênio. Os procedimentos passaram de 21.892 em 2022 para 54.639 em 2025, alta de 149,6%, com salto concentrado em 2024 (54.883 procedimentos), quando a produção mais que dobrou frente a 2023 (23.236). O valor produzido acompanhou o movimento: de R$ 456,2 mil em 2022 para R$ 1,07 milhão em 2025, mais 135,5% no período. Essa ampliação reflete tanto o adensamento da rede de APS quanto a melhora do registro, e precisa ser sustentada com qualificação contínua da informação para não regredir.

A leitura por executor revela, porém, a face do vazio assistencial: entre 2024 e 2025, Marabá respondeu por 78.683 procedimentos de residentes de Bom Jesus do Tocantins, contra 22.761 produzidos no próprio município. Ou seja, a maior parte da resposta ambulatorial especializada de média complexidade é prestada fora do território, no polo regional. Esse padrão de evasão para Marabá confirma que a rede local resolve o básico, mas exporta para a Região de Saúde Carajás a demanda de exames, consultas especializadas e procedimentos que extrapolam a capacidade instalada municipal.

Fonte: Cadernos de Análise 03 e 09, produção ambulatorial SIA/SUS de residentes do município (2022 a 2025).

Equipes, força de trabalho e governança dos serviços

A rede de APS está estruturada em torno de 8 equipes de Saúde da Família nominais distribuídas pelas UBS Bela Vista, Bacabal, Ferrovia KM 58, Laranjeiras, Santa Maria e São Raimundo, com equipes de Saúde Bucal vinculadas, 1 equipe Multiprofissional (eMulti) na UBS Laranjeiras e 1 equipe Multiprofissional de Apoio para Reabilitação (EMAP-R) na UBS Bela Vista. No total, o CNES registra 19 equipes vinculadas e o e-SUS AB aponta 20 unidades operando o prontuário eletrônico e 31 equipes vinculadas, com 21.471 cadastros ativos sem óbito. A presença de eMulti e EMAP-R é uma força para o porte do município e abre espaço para reabilitação e cuidado ampliado na própria APS.

Dois pontos de governança merecem atenção direta do Plano. Primeiro, o Hospital e Maternidade Popular não tem equipe formalmente vinculada no SCNES ativo e não apresentou produção hospitalar (SIHD/SIH) vinculável na fonte consultada, ainda que registre força de trabalho própria (técnicos de enfermagem socorristas, cozinheiro, serviços de limpeza, motoristas): isso aponta fragilidade de registro e de contratualização da internação. Segundo, o CAPS I (CNES 4715640) está ativo e com equipe multiprofissional cadastrada (11 profissionais no SCNES, incluindo médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, psicopedagogo e técnico de enfermagem), mas sem produção vinculável apurada no SIA, nem em BPA, nem em RAAS-PSI: um serviço que funciona, mas cujo trabalho não está sendo registrado e, portanto, não gera lastro para indicadores nem para o financiamento da saúde mental.

Indicador da rede assistencialValor (recorte recente)Parâmetro / leitura para o PMS
Estabelecimentos de saúde ativos (CNES)18Todos sob gestão municipal; mais 2 postos indígenas federais
Leitos hospitalares (Hospital e Maternidade Popular)31100% SUS; 1,62 por mil hab, abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0
Equipes de Saúde da Família (nominais)8Base da coordenação do cuidado e da cobertura territorial
Equipes vinculadas no e-SUS AB3120 unidades operando o prontuário eletrônico; 21.471 cadastros ativos
Procedimentos ambulatoriais SUS (2025)54.639Mais 149,6% sobre 2022; sustentar com qualificação do registro
Procedimentos de residentes executados em Marabá (2024-2025)78.683Evasão para o polo regional; rede local resolve o básico
Produção apurada do CAPS I0Serviço ativo e com equipe completa, mas sem registro no SIA/RAAS-PSI
Fonte: Cadernos de Análise 03 e 09, equipes e serviços vinculados (CNES competências 12/2025 e 02/2026 e e-SUS AB municipal).
Implicação para a gestão: A rede local resolve o básico e ampliou a produção ambulatorial, mas opera com leitos abaixo do parâmetro (1,62 por mil), depende integralmente de Marabá para média e alta complexidade e tem serviços ativos sem registro (Hospital sem produção SIH e CAPS I sem produção apurada). O Plano deve priorizar a qualificação do registro hospitalar e do RAAS-PSI, a contratualização da internação, a pactuação regional na CIR Carajás para reduzir a evasão e a revisão da capacidade de leitos frente ao crescimento populacional.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Rede própria completa para o porte: hospital com maternidade, 7 UBS, CAPS I, Central de Regulação e SAMU, toda sob gestão municipal.
  • APS estruturada com 8 eSF, equipes de Saúde Bucal, eMulti e EMAP-R, com 31 equipes vinculadas no e-SUS AB.
  • Forte expansão da produção ambulatorial: mais 149,6% de procedimentos entre 2022 e 2025, com salto em 2024.
Fraquezas
  • Leitos hospitalares em 1,62 por mil habitantes, abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0, sem retaguarda de média e alta complexidade.
  • Hospital e Maternidade Popular sem produção hospitalar (SIH) vinculável e CAPS I ativo sem produção apurada no SIA/RAAS-PSI.
  • Ausência de oferta especializada própria: a maior parte dos procedimentos de residentes é executada em Marabá.
Oportunidades
  • Pactuação na CIR Carajás e referência regional em Marabá para qualificar fluxos de média e alta complexidade.
  • Incentivos federais para eMulti, EMAP-R, saúde mental e telessaúde, e contratualização da internação hospitalar.
Ameaças
  • Dependência integral de vagas reguladas no polo de Marabá, sujeita a filas, deslocamentos e TFD.
  • Crescimento populacional sustentado pressiona uma capacidade de leitos já abaixo do parâmetro, sem rede privada para aliviar a demanda.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
CAPS I ativo com equipe completa, mas sem produção apurada no SIA/RAAS-PSI544
80
Capacidade de leitos abaixo do parâmetro (1,62 por mil) e sem retaguarda de média e alta complexidade444
64
Hospital e Maternidade Popular sem produção hospitalar (SIH) vinculável e sem contratualização da internação444
64
Dependência integral de Marabá para procedimentos especializados (evasão ao polo regional)434
48
Fragilidade de registro e qualificação da informação assistencial na rede343
36
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Hospital de pequeno porte com 31 leitos (1,62 por mil) e sem média e alta complexidade própria
Serviços ativos sem registro: Hospital sem produção SIH e CAPS I sem produção apurada no SIA/RAAS-PSI
Ausência de oferta especializada local e fragilidade de contratualização da internação
Crescimento populacional sustentado pressionando capacidade instalada já estreita
Problema centralCapacidade resolutiva local limitada e dependência da referência regional em Marabá para média e alta complexidade
Evasão de procedimentos especializados para o polo regional (78.683 em Marabá contra 22.761 no município)
Filas, deslocamentos e demanda de TFD para serviços de média e alta complexidade
Subfinanciamento e indicadores frágeis pela falta de registro do CAPS I e da internação
Efeitos (consequências)
Módulo 05Contexto e território

Mapa da Saúde

O Mapa da Saúde organiza, em chave territorial, onde estão a população e a rede, qual o alcance da Atenção Primária no território disperso e quanto do cuidado se resolve no município ou escapa para os polos regionais, sendo base direta para o desenho de fluxos e metas de acesso do Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Território, população e distribuição da rede

Bom Jesus do Tocantins é município de Porte Pequeno I, com 19.129 habitantes estimados em 2025 (IBGE), na Região de Saúde Carajás, sudeste paraense, com polo regional em Marabá. A trajetória demográfica é de crescimento sustentado: a população saiu de 16.227 habitantes em 2015 para 19.129 em 2025, alta de 17,9% na década, com salto de patamar no Censo 2022 (18.658 habitantes, mais 8,1% sobre a projeção anterior). A projeção do próprio Plano para o quadriênio chega a 19.747 habitantes em 2029, o que recomenda dimensionar a rede pela tendência de fundo, e não apenas pela foto atual.

A capacidade instalada está integralmente sob gestão municipal e cobre o território por capilaridade: são 18 estabelecimentos ativos no cadastro nacional em dezembro de 2025, sendo 7 Unidades Básicas de Saúde, 4 ambulatórios, 1 Hospital e Maternidade Popular, 1 CAPS I, além de SAMU, central de regulação, central de abastecimento farmacêutico e laboratório de prótese. As 7 UBS estão distribuídas por localidades distintas e majoritariamente rurais (Bela Vista, Bacabal, Ferrovia KM 58, Laranjeiras, Santa Maria, São Raimundo e a Aldeia Krikatejê), desenho que aproxima a porta de entrada do morador, mas eleva o custo logístico do cuidado, do abastecimento e do transporte sanitário.

Há ainda uma camada de cuidado indígena fora da gestão direta do município: 2 postos de saúde indígena (Aldeia Krikatejê e Mãe Maria), de natureza jurídica federal, vinculados ao subsistema de atenção à saúde indígena. Esse recorte exige que o Mapa da Saúde do município trate explicitamente a articulação com o subsistema indígena e a complementaridade de fluxos, sobretudo de média complexidade e urgência, que recaem sobre a rede municipal e regional.

Fonte: Caderno de Análise, Perfil Demográfico (estimativas IBGE 2015 a 2025 e projeção do Plano 2026 a 2029).

Acesso geográfico e fluxos: o que se resolve dentro e o que evade

A produção ambulatorial financiada pelo SUS para os residentes cresceu fortemente no período recente: passou de 21.892 procedimentos em 2022 (R$ 456 mil) para 54.883 em 2024 (R$ 1,11 milhão), estabilizando em 54.639 em 2025 (R$ 1,07 milhão). O salto de 2024 indica ampliação real de oferta e melhor registro, mas a leitura territorial mostra que parte expressiva desse cuidado não acontece em Bom Jesus do Tocantins. No biênio 2024-2025, Marabá executou 78.683 procedimentos para residentes do município, contra 22.761 produzidos no próprio território, o que configura forte evasão assistencial para o polo regional.

Os demais executores confirmam a dependência regional e a dispersão de fluxos: Belém respondeu por 5.244 procedimentos, seguida de Tucuruí (820), Colinas do Tocantins (575), Vale do Anari (471), Jacundá (314) e São Luís (138). Em termos relativos, cerca de três de cada quatro procedimentos do biênio foram executados fora do município, predominantemente em Marabá, padrão típico de média e alta complexidade que o município não oferta. Para o cidadão, isso significa deslocamento, dependência de Tratamento Fora do Domicílio e de transporte sanitário, e risco de fila e perda de continuidade quando a regulação não dá conta da demanda.

No vértice hospitalar, o Hospital e Maternidade Popular é a única referência local de urgência e parto, com 31 leitos SUS, o equivalente a cerca de 1,62 leito por mil habitantes, abaixo do parâmetro de referência de 2,5 a 3,0 por mil. A unidade concentra força de trabalho expressiva (técnicos de enfermagem, plantão clínico, cirurgia geral, anestesia e apoio diagnóstico por imagem), mas a baixa relação leito por habitante e a ausência de oferta especializada própria reforçam a dependência de Marabá para internação de maior complexidade e para o conjunto de exames e consultas especializadas.

Fonte: Caderno de Análise, Fluxos Assistenciais (produção ambulatorial SIA/SUS de residentes por município executor, 2024 a 2025).
Fonte: Caderno de Análise, Rede Assistencial (estabelecimentos ativos no cadastro nacional por tipo, competência 12/2025).

Indicadores territoriais e de acesso

Indicador territorial e de acessoValor atualParâmetro ou meta 2029Fonte
População residente19.129 hab (2025)19.747 hab (2029)Estimativa IBGE e projeção do Plano
Estabelecimentos de saúde ativos18 unidadesManter e qualificarCadastro nacional, 12/2025
Unidades Básicas de Saúde no território7 UBSCobertura territorial integralCadastro nacional, 12/2025
Leitos hospitalares por mil habitantes1,622,5 a 3,0Hospital e Maternidade Popular e parâmetro de referência
Procedimentos ambulatoriais executados fora do município (2024 a 2025)cerca de 3 em cada 4Reduzir evasão evitávelSIA/SUS, residentes por executor
Principal polo de referência regionalMarabá (78.683 proc.)Pactuação CIR CarajásSIA/SUS e Região de Saúde Carajás
Implicação para a gestão: O município tem rede capilarizada e produção ambulatorial em alta, mas resolve pouco da média e alta complexidade no território e depende fortemente de Marabá, com hospital abaixo do parâmetro de leitos. O Plano deve priorizar a pactuação regional na CIR Carajás, a qualificação da regulação, do Tratamento Fora do Domicílio e do transporte sanitário, e a articulação com o subsistema indígena, com metas de redução da evasão evitável e de ampliação da resolutividade local.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Rede capilarizada com 7 UBS distribuídas pelas localidades rurais e urbanas do território.
  • Capacidade instalada completa para o porte: hospital com maternidade, CAPS I, SAMU e central de regulação próprios.
  • Produção ambulatorial em forte expansão, de 21.892 (2022) para 54.639 procedimentos (2025).
Fraquezas
  • Hospital com 1,62 leito por mil habitantes, abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0, sem oferta especializada própria.
  • Cerca de 3 em cada 4 procedimentos do biênio 2024 a 2025 executados fora do município.
  • Território disperso e majoritariamente rural eleva custo logístico, de abastecimento e de transporte sanitário.
Oportunidades
  • Pactuação na CIR Carajás com Marabá como polo regional para especialidades e alta complexidade.
  • Articulação com o subsistema indígena (postos Krikatejê e Mãe Maria) e qualificação de regulação, TFD e telessaúde.
Ameaças
  • Dependência integral de vagas reguladas em Marabá, sujeita a filas, deslocamentos e demanda reprimida.
  • Crescimento populacional contínuo sem expansão proporcional da capacidade hospitalar e especializada.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Hospital com 1,62 leito por mil habitantes, abaixo do parâmetro de referência, e sem média e alta complexidade própria544
80
Evasão assistencial elevada: cerca de 3 em cada 4 procedimentos executados fora do município, com forte concentração em Marabá444
64
Dependência de TFD e transporte sanitário para acesso regional, com risco de fila e deslocamento evitável443
48
Território disperso e rural que eleva custo logístico e dificulta o acesso geográfico às UBS333
27
Articulação incipiente com o subsistema indígena na coordenação de fluxos de média complexidade e urgência333
27
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Hospital com 1,62 leito por mil habitantes e sem média e alta complexidade própria
Território disperso e rural que eleva o custo logístico e de transporte sanitário
Oferta especializada concentrada em Marabá, polo da Região de Saúde Carajás
Crescimento populacional contínuo sem expansão proporcional da rede
Problema centralAcesso geográfico desigual e forte dependência da referência regional, com cerca de 3 em cada 4 procedimentos executados fora do município
Deslocamentos longos e dependência de TFD e transporte sanitário
Filas na regulação e demanda reprimida por especialidades e exames
Risco de descontinuidade do cuidado e de perda de vínculo com a APS
Efeitos (consequências)
Módulo 06Diagnóstico setorial

Gestão do Trabalho

A gestão do trabalho define a capacidade real da rede municipal de sustentar o cuidado: quantos profissionais existem, como estão distribuídos entre as ocupações, sob que vínculos atuam e quanto disso é estável o bastante para garantir continuidade. Em Bom Jesus do Tocantins, município de pequeno porte com cerca de 19.129 habitantes em 2025 e 100% dependente do SUS, esse eixo é base direta para as diretrizes de provimento, fixação e qualificação previstas no Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Composição e perfil da força de trabalho em saúde

A força de trabalho municipal está fortemente concentrada no nível médio de enfermagem e no apoio administrativo. As ocupações mais numerosas registradas são Técnico de Enfermagem (53 profissionais), Técnico de Enfermagem da Estratégia Saúde da Família (21), Agente Comunitário de Saúde (20) e Auxiliar de Enfermagem da Estratégia Saúde da Família (15). Em seguida aparecem funções de sustentação da rede, com 11 motoristas de veículos de pequeno e médio porte, 11 trabalhadores de manutenção de edificações, 11 recepcionistas e 10 auxiliares de escritório, o que evidencia uma estrutura que prioriza o nível médio assistencial e o suporte operacional.

A leitura conjunta mostra duas fragilidades estruturais. A primeira é a baixa visibilidade das categorias de nível superior nas ocupações de maior volume: médicos e enfermeiros não figuram entre os grupos mais numerosos, o que sugere quadros enxutos e mais expostos à rotatividade nas categorias que sustentam a resolutividade clínica da Atenção Primária. A segunda é a presença expressiva de carga horária ambulatorial registrada apenas nas categorias de enfermagem (1.520 horas no técnico de enfermagem e 840 horas no técnico da ESF), enquanto funções administrativas e de apoio aparecem com carga ambulatorial zerada, padrão coerente com o caráter não assistencial dessas funções, mas que reforça que o atendimento direto repousa sobre um número reduzido de categorias.

Fonte: Caderno de Análise 04, Gestão do Trabalho (ocupações cadastradas na rede municipal, competência 202602).

Cobertura operacional, vínculos e risco de continuidade

A rede opera com 20 unidades utilizando o sistema de prontuário eletrônico da Atenção Primária e 31 equipes vinculadas, responsáveis por uma base de 21.471 cadastros ativos sem óbito. Esse arranjo dá capilaridade ao cuidado, mas pressiona o dimensionamento: distribuídos por 31 equipes, os cadastros resultam em cerca de 693 pessoas por equipe vinculada, número que precisa ser lido com cautela porque parte das equipes registradas pode estar incompleta ou compartilhar profissionais entre pontos da rede. A predominância de categorias de apoio e de nível médio, somada à pouca expressão de médicos e enfermeiros nos maiores grupos ocupacionais, sinaliza que a sustentação clínica das equipes depende de poucos profissionais e, portanto, é sensível a saídas e a vínculos frágeis.

O risco de continuidade do serviço aparece de forma indireta, porém consistente, no perfil de vínculos da rede. Em municípios de pequeno porte da Amazônia, a contratação temporária e os cargos comissionados costumam predominar sobre o quadro efetivo, e Bom Jesus do Tocantins não dispõe de plano de cargos, carreiras e salários nem de concurso recente que protejam o vínculo das categorias assistenciais. A consequência prática é a rotatividade: quando o profissional sai, a equipe perde adscrição, longitudinalidade e memória clínica do território, e a reposição costuma demorar. Essa fragilidade conversa diretamente com a qualidade da informação, já que o município registrou 27 óbitos por causas mal definidas no período analisado, indicador sensível à estabilidade e à qualificação contínua das equipes responsáveis pelo registro e pela investigação.

Fonte: Caderno de Análise 04, Gestão do Trabalho (cobertura operacional do prontuário eletrônico e equipes vinculadas, base local 2025).

Produção, dimensionamento e educação permanente

A produção ambulatorial própria do município mais que dobrou no período recente, passando de 21.892 procedimentos em 2022 para 54.883 em 2024 e mantendo patamar de 54.639 em 2025, com valor produzido subindo de R$ 456.224,74 para mais de R$ 1 milhão ao ano. Esse salto de produção foi absorvido praticamente pelo mesmo conjunto de categorias de enfermagem e apoio, sem expansão proporcional do quadro de nível superior, o que tensiona o dimensionamento e ajuda a explicar a permanência da dependência regional de Marabá para a média e alta complexidade, polo que concentrou 78.683 procedimentos referentes a residentes do município em 2024-2025.

A combinação de produção crescente, quadro enxuto de categorias clínicas e vínculos frágeis aponta para uma agenda de gestão do trabalho centrada em três frentes: proteger o vínculo das categorias assistenciais (concurso e plano de carreira), dimensionar as equipes à carga real de cadastros e procedimentos, e instituir educação permanente regular, especialmente para qualificar o registro da informação e reduzir as causas mal definidas. Sem essas medidas, o ganho de produção tende a não se converter em resolutividade estável nem em melhor acesso.

Indicador de gestão do trabalhoValor de referênciaFonte (linguagem de gestão)
Técnicos de enfermagem na rede (incluindo ESF)74Cadastro de estabelecimentos, competência 202602
Agentes Comunitários de Saúde20Cadastro de estabelecimentos, competência 202602
Equipes vinculadas no prontuário eletrônico da APS31Atenção Primária, base local 2025
Unidades operando o prontuário eletrônico da APS20Atenção Primária, base local 2025
Cadastros ativos por equipe vinculada (estimativa)~693Cálculo sobre 21.471 cadastros e 31 equipes
Procedimentos ambulatoriais próprios (2025)54.639Produção ambulatorial SUS, 2025
Óbitos por causas mal definidas (qualidade da informação)27Mortalidade local, período analisado
Plano de Cargos, Carreiras e Salários vigenteNãoGestão do trabalho municipal, 2025
Implicação para a gestão: A rede sustenta produção crescente sobre um quadro enxuto de categorias clínicas e vínculos frágeis, sem plano de carreira nem concurso recente, o que expõe a continuidade do cuidado à rotatividade. O Plano deve priorizar a realização de concurso público e a instituição de PCCS para as categorias assistenciais, o redimensionamento das 31 equipes à carga real de cadastros e procedimentos, e um programa de educação permanente que qualifique o registro da informação e reduza os óbitos por causas mal definidas até 2029.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Rede capilarizada com 31 equipes vinculadas e 20 unidades operando o prontuário eletrônico da APS.
  • Quadro robusto de nível médio de enfermagem (74 técnicos somando geral e ESF) e 20 ACS no território.
  • Produção ambulatorial própria mais que dobrou (de 21.892 para 54.639 procedimentos entre 2022 e 2025).
Fraquezas
  • Categorias de nível superior (médicos e enfermeiros) pouco expressivas nos maiores grupos ocupacionais.
  • Ausência de plano de cargos e carreiras e de concurso recente, com predomínio de vínculos frágeis.
  • Carga estimada de cerca de 693 cadastros por equipe e 27 óbitos por causas mal definidas ligados à qualidade do registro.
Oportunidades
  • Incentivos federais da Amazônia Legal e programas de provimento para fixar profissionais em áreas remotas.
  • Educação permanente e telessaúde articuladas à Região de Saúde Carajás e ao polo de Marabá.
Ameaças
  • Rotatividade e concorrência de Marabá por profissionais, agravando a fixação no município.
  • Crescimento da produção sem expansão proporcional do quadro clínico pode levar à sobrecarga e à perda de adscrição.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Ausência de plano de cargos e carreiras e de concurso recente, com predomínio de vínculos frágeis nas categorias assistenciais544
80
Quadro enxuto de categorias clínicas (médicos e enfermeiros) sustentando produção crescente444
64
Rotatividade e baixa fixação de profissionais, com perda de adscrição e longitudinalidade do cuidado444
64
Fragilidade da qualificação da informação (27 óbitos por causas mal definidas)433
36
Dimensionamento das 31 equipes desalinhado à carga real de cadastros e procedimentos333
27
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Ausência de plano de cargos e carreiras e de concurso recente
Predomínio de vínculos temporários e comissionados nas categorias assistenciais
Quadro enxuto de médicos e enfermeiros frente a 31 equipes e produção crescente
Concorrência do polo regional de Marabá pela mesma força de trabalho
Problema centralInstabilidade e insuficiência da força de trabalho clínica, com rotatividade que compromete a continuidade do cuidado na rede municipal
Perda de adscrição, longitudinalidade e memória clínica do território
Sobrecarga das equipes e dependência da referência regional de Marabá
Fragilidade da qualificação da informação, com 27 óbitos por causas mal definidas
Efeitos (consequências)
Módulo 07Diagnóstico setorial

Recursos Financeiros

Os recursos financeiros sustentam toda a capacidade de resposta do SUS municipal: examinam a aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde (mínimo de 15% da receita própria), a execução orçamentária, a captação de emendas e a regularidade dos instrumentos de gestão que liberam transferências. Em Bom Jesus do Tocantins, município de pequeno porte com 19.129 habitantes em 2025 e população praticamente toda dependente do SUS, esse eixo é decisivo para o Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Produção financiada e capacidade de resposta da rede

A leitura financeira disponível para Bom Jesus do Tocantins parte da produção ambulatorial financiada pelo SUS, que funciona como termômetro do volume de serviço efetivamente custeado no território. A série recente mostra forte expansão: os procedimentos ambulatoriais saltaram de 21.892 (2022) para 54.883 (2024), crescimento de aproximadamente 151% em dois anos, com leve recuo para 54.639 em 2025. O valor produzido acompanhou o movimento, passando de R$ 456.224,74 (2022) para R$ 1.110.178,38 (2024), mais que dobrando, antes de recuar para R$ 1.074.487,76 em 2025.

Essa trajetória indica uma rede que ampliou consideravelmente a oferta custeada entre 2022 e 2024, provavelmente refletindo maior estruturação da Atenção Primária e melhor registro da produção. O recuo de 2024 para 2025, embora pequeno em valores absolutos (cerca de R$ 35,7 mil e 244 procedimentos a menos), merece monitoramento: em municípios de pequeno porte, oscilações modestas podem sinalizar perda de produção financiada, atraso de transmissão ou queda real de oferta. A gestão precisa distinguir entre essas hipóteses antes de converter o dado em meta do PMS.

Fonte: Caderno de Análise, produção ambulatorial financiada pelo SUS (2022 a 2025). Valores correntes.

Concentração territorial da produção e dependência regional

A análise dos municípios executores da produção relacionada a Bom Jesus do Tocantins revela forte dependência regional. No biênio 2024-2025, Marabá respondeu por 78.683 procedimentos, contra 22.761 executados no próprio município. Ou seja, a maior parte do serviço financiado relacionado à população de Bom Jesus do Tocantins é produzida fora do território, sobretudo no polo regional de Marabá, na Região de Saúde de Carajás, seguido por Belém (5.244), Tucuruí (820) e Colinas do Tocantins (575).

Do ponto de vista financeiro, essa concentração tem duas leituras. De um lado, é o desenho esperado: o município de pequeno porte resolve a Atenção Primária e referencia a média e alta complexidade. De outro, expõe a fragilidade de governança e custo: cada procedimento executado fora depende de pactuação regional, transporte sanitário e Tratamento Fora de Domicílio (TFD), o que pressiona o orçamento municipal com despesas de deslocamento e reduz a governabilidade sobre filas e prazos. O Plano deve tratar a regulação e a pactuação na CIR Carajás como instrumentos de eficiência financeira, e não apenas assistencial.

Fonte: Caderno de Análise, principais municípios executores da produção ambulatorial (2024 a 2025).

Governança orçamentária e instrumentos de gestão

O ponto mais crítico do eixo não está na produção, mas na governança do financiamento. O perfil municipal registra o PMS 2026-2029 como não iniciado no sistema DigiSUS Gestor Módulo de Planejamento (DGMP) em 27/04/2026, com a Programação Anual de Saúde 2026 dependente dele. A irregularidade dos instrumentos de gestão tem efeito financeiro direto: pode bloquear o repasse de recursos federais, comprometer a captação de emendas parlamentares e fragilizar a transparência exigida pelo SIOPS e pela LC 141/2012, que fixa em 15% da receita própria o piso de aplicação em ações e serviços públicos de saúde.

A consequência operacional é o risco de saldos não executados e de propostas de emenda travadas por falta de vinculação ao planejamento aprovado. A regularização do ciclo PMS, PAS, RDQA e RAG, articulada ao PPA, à LDO e à LOA, é portanto pré-condição para qualquer ganho financeiro do quadriênio. Esta é a prioridade de maior pontuação na matriz GUT geral do município (score 125), o que justifica posicioná-la como diretriz estruturante do PMS 2026-2029.

Indicador / parâmetroSituaçãoFonte (linguagem de gestão)
Aplicação mínima em saúde (piso LC 141/2012)15% da receita própriaSIOPS, a validar na execução municipal
Produção ambulatorial financiada (2024)R$ 1.110.178,38Produção ambulatorial SUS
Produção ambulatorial financiada (2025)R$ 1.074.487,76Produção ambulatorial SUS
Procedimentos executados no próprio município (2024-2025)22.761Produção ambulatorial SUS
Procedimentos executados em Marabá (2024-2025)78.683Produção ambulatorial SUS, polo regional
PMS 2026-2029 no DGMP (27/04/2026)Não iniciadoPerfil municipal, DigiSUS Gestor
Implicação para a gestão: A produção financiada cresceu de forma expressiva entre 2022 e 2024, mas a sustentabilidade do financiamento depende de regularizar o ciclo PMS-PAS-RDQA-RAG no DGMP, comprovar a aplicação mínima de 15% no SIOPS e vincular as emendas às metas do Plano, reduzindo o risco de saldos não executados e de bloqueio de repasses no quadriênio 2026-2029.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Produção ambulatorial financiada em forte expansão: de R$ 456 mil (2022) para R$ 1,11 milhão (2024).
  • Rede própria com hospital municipal, CAPS I e Atenção Primária que sustenta volume crescente de procedimentos.
  • Possibilidade de reorganizar PMS e PAS para desbloquear captação e ordenar a execução.
Fraquezas
  • PMS 2026-2029 não iniciado no DGMP em 27/04/2026, com PAS 2026 dependente dele.
  • Maior parte da produção financiada executada fora do município (78.683 em Marabá contra 22.761 local).
  • Necessidade de comprovar a aplicação mínima de 15% e qualificar a execução no SIOPS.
Oportunidades
  • Regularizar instrumentos de gestão e alinhar emendas parlamentares às metas do PMS.
  • Incentivos federais e pactuação na CIR Carajás para custear referências regionais.
Ameaças
  • Pendências de planejamento podem bloquear repasses, travar propostas e gerar saldos não executados.
  • Dependência de Marabá e do TFD pressiona o orçamento com transporte e deslocamentos.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
PMS, PAS e ciclo DGMP pendentes, com risco de bloqueio de repasses e de captação de emendas555
125
Concentração da produção financiada fora do município (Marabá) pressionando custo de TFD e transporte444
64
Necessidade de comprovar a aplicação mínima de 15% e qualificar a execução no SIOPS443
48
Risco de saldos não executados por falta de vinculação ao planejamento aprovado434
48
Recuo da produção ambulatorial financiada de 2024 para 2025 a ser monitorado333
27
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
PMS 2026-2029 não iniciado no DGMP e PAS 2026 dependente do Plano
Equipe técnica reduzida para o ciclo de planejamento e prestação de contas
Dependência de Marabá e do TFD eleva o custo das referências regionais
Necessidade de qualificar a execução e a comprovação no SIOPS
Problema centralGovernança orçamentária frágil, com risco de bloqueio de repasses, baixa captação de emendas e saldos não executados
Risco de suspensão de transferências federais por irregularidade de instrumentos
Propostas de emenda parlamentar travadas por falta de vinculação ao planejamento
Menor governabilidade sobre prioridades sanitárias e metas do quadriênio
Efeitos (consequências)
Módulo 08Contexto e território

Fluxos Assistenciais e Inserção Regional

Os fluxos assistenciais traduzem a forma como Bom Jesus do Tocantins resolve a demanda no próprio território e quanto depende da rede regional, especialmente do polo de Marabá na Região de Saúde Carajás, sendo base direta para a pactuação na CIR e para as metas de regulação e referência do Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Expansão da produção ambulatorial e mudança de patamar

A produção ambulatorial financiada pelo SUS vinculada a residentes de Bom Jesus do Tocantins passou por uma mudança de patamar entre 2022 e 2025. Os procedimentos saltaram de 21.892 (2022) para 54.639 (2025), crescimento de cerca de 150% no quadriênio, e o valor produzido subiu de R$ 456 mil para mais de R$ 1,07 milhão. O salto mais expressivo ocorreu em 2024, quando os procedimentos mais que dobraram em relação a 2023 (de 23.236 para 54.883), sinalizando ampliação real da oferta ou melhoria do registro e da transmissão da informação ao sistema oficial.

A leitura cautelosa é necessária: a estabilização entre 2024 e 2025 (54.883 contra 54.639 procedimentos) e a leve queda de valor (de R$ 1,11 milhão para R$ 1,07 milhão) podem refletir tanto acomodação da capacidade instalada quanto atraso de transmissão no último ano fechado. Em município de pequeno porte, variações absolutas modestas produzem percentuais elevados, de modo que a série deve ser validada com a equipe técnica antes de fundamentar metas de produção.

Fonte: Caderno de Análise 06, produção ambulatorial financiada pelo SUS (residentes de Bom Jesus do Tocantins, 2022 a 2025).

Dependência regional e concentração no polo de Marabá

A análise de executores revela uma rede de cuidado dividida em dois polos. Embora o próprio município execute 22.761 procedimentos ambulatoriais de seus residentes no período 2024-2025, é Marabá que concentra o maior volume, com 78.683 procedimentos, ou seja, cerca de 72% de todos os procedimentos realizados para residentes (e mais de 90% daqueles executados fora do território) são absorvidos por um único município polo. Belém aparece em terceiro (5.244 procedimentos), seguido por executores de menor monta como Tucuruí (820), Colinas do Tocantins (575), Vale do Anari (471), Jacundá (314) e São Luís (138).

Essa concentração confirma o papel de Marabá como referência de média e alta complexidade da Região de Saúde Carajás e expõe a vulnerabilidade do acesso: qualquer gargalo de regulação, fila ou indisponibilidade de vagas no polo impacta diretamente os residentes de Bom Jesus do Tocantins, que dependem de deslocamento e, em parte dos casos, de Tratamento Fora de Domicílio (TFD). A presença de executores em outras unidades da federação, como Tocantins (Colinas) e Maranhão (São Luís), indica também fluxos de fronteira que precisam ser mapeados na pactuação regional.

No plano hospitalar, o município conta com o Hospital e Maternidade Popular como referência local de urgência e parto, com 31 leitos SUS, o que corresponde a 1,62 leito por mil habitantes, patamar bastante abaixo do parâmetro de referência de 2,5 a 3,0 leitos por mil habitantes. O déficit de leitos próprios reforça a dependência das internações reguladas para o polo regional e torna a qualificação da regulação, da referência e da contrarreferência uma prioridade estruturante.

Fonte: Caderno de Análise 06, principais municípios executores ambulatoriais de residentes (2024 a 2025).

Indicadores e metas de fluxo e regulação

Indicador de fluxo e inserção regionalSituação atualParâmetro ou meta PMS 2026-2029Fonte
Leitos SUS por mil habitantes1,622,5 a 3,0Hospital e Maternidade Popular (rede municipal)
Procedimentos ambulatoriais de residentes (ano)54.639Manter e qualificar registroProdução ambulatorial SUS (2025)
Concentração no polo regional de Marabá~72%Pactuar e monitorar na CIR CarajásExecutores ambulatoriais (2024 a 2025)
Contrarreferência formal estruturadaIncipienteProtocolo implantado até 2029Leitura técnica do eixo (caderno e ASIS)
Implicação para a gestão: A produção ambulatorial cresceu de patamar, mas o acesso à média e alta complexidade segue ancorado em Marabá e no TFD, com déficit de leitos próprios (1,62 contra 2,5 a 3,0 por mil habitantes). O Plano deve priorizar a pactuação na CIR Carajás, a implantação de protocolo de referência e contrarreferência, a qualificação do transporte sanitário e do TFD e o monitoramento quadrimestral dos fluxos, convertendo essas frentes em diretrizes e metas do DOMI.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Hospital e Maternidade Popular como referência local de urgência e parto no território.
  • Produção ambulatorial própria expressiva: 22.761 procedimentos de residentes em 2024 a 2025.
  • Salto da produção total de 21.892 (2022) para 54.639 procedimentos (2025), mudança de patamar.
Fraquezas
  • Apenas 31 leitos SUS, ou 1,62 por mil habitantes, abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0.
  • Referência e contrarreferência ainda pouco formalizadas, com fluxos de retorno frágeis.
  • Dependência de TFD e de deslocamento para média e alta complexidade fora do município.
Oportunidades
  • Pactuação na CIR Carajás e na PPI para qualificar vagas reguladas no polo de Marabá.
  • Qualificação da regulação, do transporte sanitário e do TFD com protocolos assistenciais.
Ameaças
  • Concentração de cerca de 72% de todos os procedimentos de residentes em Marabá, exposta a filas e gargalos.
  • Fluxos de fronteira (Tocantins e Maranhão) e demanda reprimida sem regulação estruturada.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Dependência de Marabá e do TFD para média e alta complexidade, com cerca de 72% dos procedimentos de residentes concentrados no polo444
64
Déficit de leitos hospitalares próprios (1,62 por mil habitantes, abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0)444
64
Referência e contrarreferência pouco formalizadas, com retorno do paciente à APS fragilizado434
48
Fluxos de fronteira e demanda reprimida sem mapeamento e pactuação na CIR Carajás334
36
Transporte sanitário e TFD sem dimensionamento adequado à dependência regional433
36
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Apenas 31 leitos SUS próprios (1,62 por mil habitantes), abaixo do parâmetro de 2,5 a 3,0
Ausência de média e alta complexidade no território, concentrada no polo de Marabá
Referência e contrarreferência pouco formalizadas e transporte sanitário e TFD subdimensionados
Fluxos de fronteira (Tocantins e Maranhão) não mapeados na pactuação regional
Problema centralAcesso à média e alta complexidade dependente do polo regional de Marabá e do TFD, com regulação e contrarreferência frágeis
Cerca de 72% dos procedimentos de residentes concentrados em um único polo, sujeitos a filas e deslocamentos
Demanda reprimida e perda de seguimento por contrarreferência insuficiente à APS
Sobrecarga de TFD e custo assistencial e social do deslocamento dos usuários
Efeitos (consequências)
Módulo 09Contexto e território

Determinantes Sociais da Saúde

Os determinantes sociais explicam por que o adoecer e o morrer se distribuem de forma desigual no território: em Bom Jesus do Tocantins, a economia de fronteira (pecuária, agricultura familiar, pequena mineração e comércio voltado a Marabá), a baixa renda histórica e a dispersão rural condicionam o perfil de saúde e devem orientar as diretrizes intersetoriais do Plano Municipal de Saúde 2026-2029.

Território de fronteira, vulnerabilidade social e renda

Bom Jesus do Tocantins é município de Porte I (19.129 habitantes em 2025), na Região de Saúde de Carajás (macrorregião Sudeste paraense), com área de 2.816,4 km e Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,597, classificado como baixo (Censo 2010). A economia se apoia na pecuária, na agricultura familiar, na pequena mineração no entorno da Estrada de Ferro Carajás e no comércio voltado a municípios maiores, sobretudo Marabá. Essa base produtiva, marcada por informalidade e por movimentos pendulares de mão de obra, ajuda a explicar tanto o perfil de adoecimento quanto a desigualdade no acesso aos serviços.

A razão de sexo de 128,8 homens para cada 100 mulheres é uma das assinaturas sociais mais fortes do território: ela expressa a migração masculina jovem atraída pela economia extrativa mineral e pela pecuária do sudeste paraense. Esse perfil concentra população em idade produtiva exposta a acidentes de trabalho rural, causas externas e baixa procura espontânea por cuidado, exigindo do PMS uma agenda explícita de saúde do homem. O índice de dependência total de 50,3% sinaliza, ainda, uma dupla pressão sobre as famílias e a rede: 31,4% de dependência juvenil somados a 18,9% de dependência de pessoas idosas, em um contexto em que parte expressiva da renda domiciliar de idosos vem da aposentadoria rural e do Benefício de Prestação Continuada.

Fonte: Cadernos de Análise 01 e 02, estrutura social e demográfica 2025 (composição etária, razão de dependência e razão de sexo); IDH-M 2010 lido como linha de base de vulnerabilidade.

Vulnerabilidade de grupos específicos: adolescentes, populações tradicionais e indígenas

A vulnerabilidade social do território aparece com nitidez na gravidez na adolescência: 21,7% dos nascidos vivos em 2025 foram de mães de 10 a 19 anos (52 de 240), cerca de 1,5 vez a média nacional e mais de três vezes a meta de 6% fixada no PMS anterior. A série recente é oscilante (25,2% em 2022, 29,0% em 2023, queda para 17,6% em 2024 e retorno a 21,7% em 2025), padrão que evidencia a ausência de um programa estruturado e contínuo de saúde sexual e reprodutiva, articulado com educação (Programa Saúde na Escola) e assistência social. Gravidez precoce, em municípios de baixa renda, é simultaneamente causa e consequência de evasão escolar, perpetuando o ciclo de vulnerabilidade.

O território abriga comunidades rurais dispersas e populações tradicionais (indígenas, quilombolas e ribeirinhos) em áreas sob pressão fundiária, no entorno da Estrada de Ferro Carajás e da Província Mineral de Carajás. A população indígena foi sinalizada pela gestão para tratamento próprio na ASIS, mas ainda não dispõe de recorte específico nas metas, o que exige a construção de indicadores próprios pactuados com SESAI e DSEI (Kayapó e Araguaia), segundo o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. A dispersão rural e a precariedade de saneamento e de acesso convertem-se em barreiras concretas de acesso e em maior risco para doenças negligenciadas, evidenciadas pelas 45 notificações de hanseníase e 23 de leishmaniose cutânea no período.

Fonte: Caderno de Análise 02, série de gravidez na adolescência 2022 a 2025 (SINASC local) comparada à meta do PMS anterior (6%) e à referência nacional aproximada.

Determinantes sociais que se traduzem em carga de doença

A informalidade econômica e o trabalho rural e extrativo se materializam no perfil de agravos notificados, que funciona como espelho social do território. Os acidentes de trabalho (Y96) somam 40 notificações no quadriênio, número que subestima a magnitude real diante da alta informalidade da lavoura familiar, da pecuária, do garimpo e do transporte. A violência interpessoal (Y09) responde por 50 notificações e os acidentes não especificados (W64) por 179, compondo, com as causas externas, 63 óbitos no quadriênio. Esses eventos, fortemente associados a desigualdade, álcool e ambiente de trabalho precário, são evitáveis e demandam resposta intersetorial, não apenas assistencial.

Há ainda uma vulnerabilidade de informação que se soma à social: o e-SUS AB municipal registra 21.471 cadastros ativos sem óbito para uma população oficial de 19.129 habitantes (112,2%), diferença que precisa ser tratada como pauta de higienização cadastral e de pactuação entre população territorial e operacional, sob pena de distorcer denominadores e mascarar bolsões de exclusão. A tabela a seguir consolida os principais indicadores de determinação social do município e os parâmetros de referência para o quadriênio.

Indicador de determinação socialMunicípioParâmetro / referência
IDH-M (desenvolvimento humano)0,597Faixa baixa (0,500 a 0,599), Censo 2010
Gravidez na adolescência (2025)21,7%Meta PMS anterior 6%; cerca de 1,5x média nacional
Razão de sexo (homens por 100 mulheres)128,8Migração masculina, foco em saúde do homem
Índice de dependência total50,3%Pressão juvenil (31,4%) e senil (18,9%) somadas
Causas externas (óbitos, 2022 a 2025)63Mortalidade evitável de resposta intersetorial
Acidentes de trabalho notificados (Y96)40Subnotificado; meta dobrar notificação qualificada
Cadastro e-SUS AB sobre população IBGE112,2%Exige higienização cadastral e regra de denominador

Fonte: Cadernos de Análise 01, 02 e 07 de Bom Jesus do Tocantins (IBGE, SINASC, SINAN e e-SUS AB locais, 2022 a 2025; IDH-M Censo 2010).

Implicação para a gestão: Os determinantes sociais de Bom Jesus do Tocantins (baixa renda, território de fronteira mineral e pecuária, dispersão rural e populações tradicionais) precisam virar diretriz intersetorial explícita no PMS 2026-2029: programa permanente de saúde sexual e reprodutiva com educação e assistência social para reduzir a gravidez na adolescência, agenda de saúde do homem e enfrentamento de causas externas e acidentes de trabalho com o CEREST regional, e construção de indicadores próprios para a população indígena pactuados com SESAI e DSEI.

Análise de ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) do eixo.

Ajudano objetivo
Atrapalhano objetivo
Origem interna
Origem externa
Forças
  • Equipes de APS capilarizadas (20 unidades operando o PEC e 31 equipes), com conhecimento do território rural.
  • Base demográfica e epidemiológica recente e detalhada, que permite leitura social qualificada.
  • Existência de CAPS I e de rede de proteção social passível de articulação intersetorial.
Fraquezas
  • Gravidez na adolescência em 21,7% (2025), mais de três vezes a meta do PMS anterior, sem programa estruturado.
  • Ausência de recorte e indicadores próprios para a população indígena e populações tradicionais.
  • Subnotificação de acidentes de trabalho e cadastro e-SUS em 112,2% da população, distorcendo denominadores.
Oportunidades
  • Articulação com SESAI e DSEI (Kayapó e Araguaia) e com o CEREST regional para saúde do trabalhador.
  • Programa Saúde na Escola e intersetorialidade com educação e assistência social para reduzir gravidez precoce.
Ameaças
  • Economia informal de fronteira (pecuária, garimpo, transporte) eleva causas externas e acidentes de trabalho.
  • Pressão fundiária e dispersão rural ampliam barreiras de acesso e risco para doenças negligenciadas.

Priorização dos problemas do eixo por Gravidade (G), Urgência (U) e Tendência (T), escala de 1 a 5.

RankProblema identificadoGUTScore (G x U x T)
Gravidez na adolescência em 21,7% (2025), mais de 3x a meta do PMS anterior, sem programa intersetorial estruturado545
100
Causas externas, violências e acidentes de trabalho em patamar crítico (63 óbitos e 40 notificações Y96 subestimadas)545
100
População indígena e tradicional sem recorte e indicadores próprios na ASIS e no DOMI444
64
Baixo desenvolvimento humano (IDH-M 0,597) e renda de fronteira informal condicionando o adoecimento433
36
Cadastro e-SUS AB em 112,2% da população, sem higienização periódica e regra clara de denominadores333
27
Crítica (100+) Alta (60+) Média (40+) Baixa (menos de 40)

Mapeamento estrutural das causas (raízes) que geram o problema central e das suas consequências (efeitos).

Causas (raízes)
Baixo desenvolvimento humano (IDH-M 0,597) e economia de fronteira informal (pecuária, agricultura familiar, mineração)
Migração masculina jovem (razão de sexo 128,8) e exposição a trabalho rural e extrativo precário
Dispersão rural e populações tradicionais e indígenas sob pressão fundiária e com baixo acesso
Ausência de programa intersetorial permanente de saúde sexual e reprodutiva e de saúde do trabalhador
Problema centralDeterminantes sociais desfavoráveis se traduzem em adoecimento evitável e em desigualdade de acesso não enfrentados de forma intersetorial
Gravidez na adolescência em 21,7% e ciclo de vulnerabilidade com evasão escolar
Causas externas, violências e acidentes de trabalho subnotificados em patamar crítico
Doenças negligenciadas (hanseníase, leishmaniose) e exclusão da população indígena das metas
Efeitos (consequências)